Por Machado de Assis (1873)
Era um sujeito moreno e bigode grisalho.
— Sabe quem são? perguntou-lhe o Abreu.
— Tenho uma lista.
— Vejamos se combina com esta.
Costearam-se as listas; havia engano num nome.
Mais adiante encontramos outro grupo lendo outra lista. Divergiam em dois nomes. Alguns sujeitos que não tinham lista copiavam uma deles, deixando de copiar os nomes duvidosos, ou escrevendo-os todos com uma cruz à margem. Corriam assim as listas até que apareceu uma com ares de autêntica; outras foram aparecendo no mesmo sentido e às 9 horas da noite sabíamos positivamente, sem arredar pé da Rua do Ouvidor, qual era o gabinete.
O Mendonça ficou alegre com o resultado da crise.
Perguntaram-lhe por que razão.
— Tenho dois compadres no ministério! respondeu ele.
Aqui tens o quadro infiel de uma crise ministerial no Rio de Janeiro. Infiel digo, porque o papel não pode conter os diálogos, nem as versões, nem os comentários, nem as caras de um dia de crise. Ouvem-se, contemplam-se; não se descrevem.
Baixar texto completo (.txt)ASSIS, Machado de. Tempo de crise. Jornal das Famílias, Rio de Janeiro, abr. 1873.