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#Poemas em verso#Literatura Brasileira

Ângela

Por Gregório de Matos (1696)

Ícaro foste, que atrevidamente
Te rernontaste à esfera da luz pura,
De donde te arroiou teu vôo ardente.

Fiar no sol, é irracional loucura,
Porque nesse brandão dos céus luzente
Falta a razão, se sobra a formosura.

VAGAVA O POETA POR AQUELLES RETIROS FILOSOFANDO EM SUA DESDITA SEM PODER DESAPEGAR AS HARPIAS DE SEU JUSTO SENTIMENTO.

Quem viu mal como o meu sem meio ativo!
Pois no que me sustenta, e me maltrata,
É fero, quando a morte me dilata,
Quando a vida me tira, é compassivo.

Oh do meu padecer alto motivo!
Mas oh do meu martírio pena ingrata!
Uma vez inconstante, pois me mata,
Muitas vezes ctuel, pois me tem vivo.

Já não há de remédio confiancas;
Que a morte a destruir não tem alentos,
Quando a vida empenar não tem mudanças.

E quer meu mal dobrando os meus tormentos,
Que esteja morto para as esperanças,
E que ande vivo para os sentimentos.

AO PÉ DAQUELLE PENHASCO LACRIMOSO QUE JA DICEMOS PERTENDE MODERAR SEU SENTIMENTO, E RESOLVE, QUE A SOLEDADE Ó NÃO ALIVIA.

Na parte da espessura mais sombria,
Onde uma fonte de um rochedo nasce,
Com os olhos na fonte, a mão na face,
Sentado o Pastor Sílvio assim dizia.

Ai como me mentiu a fantesia
Cuidando nesta estância repousasse!
Que muito a sede nunca mitigasse,
Se cresce da saudade a hidropisia.

Solte o Zéfiro brando os seus alentos,
E excite no meu peito amantes fráguas,
Que subam da corrente os movimentos.

Que é irana oficina para as mágoas
Ouvir nas folhas combater os ventos,
Por entre as pedras murmurar as águas.

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