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#Poemas em verso#Literatura Brasileira

Ângela

Por Gregório de Matos (1696)

1
Coraçon: suffre, y padece,
que quien alivia el tormento
el premio del suffrimiento
nesciamente desmerece:
siente, y en tus dolores cresce:
suffre, que solo el suffrir
sera el rnedio de luzir:
calla, que la causa es tal,
que está mandando a tu mal
Sentir por solo sentir.

2
Sentir, suffrir, y callar
medio será de salvar-te:
pero no sientan llorar-te
porque es arte de aliviar:
el suffrimiento hade estar
sugeto al arpon severo,
evitando el ser grossero
con silencio, o con rason,
que sentir sin reflexion
Es el sentir verdadero.

3
No suffras, por mas suffrir,
que en suffrir por merecer,
la attencion hecha a perder,
quando llega a competir:
nada intentes conseguir,
que es vana gloria, y quisá
que todo se perderá:
la mudez no es meritoria?
Sabe sentir por la gloria,
Que en saber sentir está.

4
Sabe, que ay indignacion,
en quien te puede ultrajar,
que ay aborrecer, y amar,
mas no sepas la razon:
siente tu injusta passion,
mas no sepa el suffrimiento
la causa de tu tormento:
discurre sin discurrir,
que hallarás en tu sentir
El premio del sentimiento.

PERTENDE AGORA PERSUADIR A HUM RIBEYRINHO A QUE NÃO CORRA, TEMENDO, QUE SE PERCA: QUE HE MUY PROPRIO DE HUM LOUCO ENAMORADO QUERER QUE TODOS SIGAM O SEU GAPRICHO. E RESOLVE A COBIÇARLHE A LIBERDADE.

Como corres, arroio fugitivo?
Adverte, pára, pois precipitado
Corres soberbo, como o meu cuidado,
Que sempre a despenhar-se corre altivo.

Toma atrás, considera discursivo,
Que esse curso, que levas apressado,
No taminho. que emprendes despenhado
Te deixa morto, e me retrata ao vivo.

Porém corre, não pares, pois o intento,
Que teu desejo conseguir procura,
Logra o ditoso fim do pensamento.

Triste de um pensamento sem ventura!
Que tendo venturoso o nascimento,
Não acha assim ditosa a sepultura.

SOLITARIO EM SEU MESMO QUARTO A VISTA DA LUZ DO CANDIEYRO PORFIA O POETA PENSAMENTEAR EXEMPLOS DE SEU AMOR NA BARBOLETA.

Ó tu do meu amor fiel traslado
Mariposa entre as chamas consumida,
Pois se à força do ardor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado.

Tu de amante o teu fim hás encontrado,
Essa flama girando apetecida;
Eu girando uma penha endurecida,
No fogo que exalou, morro abrasado.

Ambos de firmes anelando chamas,
Tu a vida deixas, eu a morte imploro
Nas constancias iguais, iguais nas chamas.

Mas ai! que a diferença entre nós choro,
Pois acabando tu ao fogo, que amas,
Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.

RATIFICA SUA FIDALGA RESOLUÇÃO TIRANDO DENTRE SALAMANDRA E BARBOLETA O MAIS SEGURO DOCUMENTO PARA BEM AMAR.

Renasce Fênix quase amortecida.
Barboleta no incêndio desmaiada:
Porém se amando vives abrasada,
Ai como temo morras entendida!

Se te parece estar restituída,
No que te julgo já ressuscitada,
Quanto emprendes de vida renovada,
Te receio na morte envelhecida.

Mas se em fogo de amor ardendo nasces,
Barboleta, o contrário mal discorres,
Que para eterna pena redivives.

Reconcentra esse ardor, com que renasces,
Que se qual Barboleta em fogo morres,
É melhor, Salamandra, o de que vives.

AO RIO DE CAIPPE RECORRE QUEYXOSO O POETA DE QUE SUA SENHORA ADMITTE POR ESPOSO OUTRO SUJEITO

Suspende o curso, ó Rio, retrocido,
Tu, que vens a morrer, adonde eu morro,
Enquanto contra amor me dá socorro
Algum divertirmento, algum olvido.

Não corras lisonjeiro, e divertido.
Quando em fogo de amor a ti recorro
E quando o mesmo incêndio, em que me torro,
Teu vizinho cristal tem já vertido.

Pois já meu pranto inunda teus escolhos,
Não corras, não te alegres, não te rias,
Nem prateies verdores, cinge abrolhos.

Que não é bem, que tuas águas frias,
Sendo o pranto chorado dos meus olhos,
Tenham que rir em minhas agonias.

IMAGEM SINGULAR DE SUA DESESPERADA PAYXAO, VENDO QUE SUA SENHORA SEM EMBARGO DE RECEBERLHES SEUS AMOROSOS DIVERTIMENTOS, ACEYTAVA EM CASAMENTO HUM SUGEYTO MUYTO DA VONTADEDE DE SEUS PAYS: MAS NEM ESTAS, NEM OUTRAS OBRAS OUSAVA ELLE A CONFIAR MAIS QUE DO SEU BAUL.

Enfim, pois vossa mercê
não ignora, que é forgoso
acomodar co'as desgraças,
e desbaratar ao gosto:

Ouça os últimos suspiros,
de quem no extrerno amoroso
fala com língua de mágoas,
sente com vozes de fogo.

Que nestas minhas ofensas,
e nestes termos suponho,
que fez dita o meu afeto,
do que você fez estorvo.

Pois adorando excessivo,
o que não logrou ditoso,
só da esperança fez caso,
sern dar ousadia ao logro.

Parecia-me, que nunca
chegasse a ser perigoso
venerar no pensamento
faisas idéias de um gosto.

(continua...)

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