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#Poemas em verso#Literatura Brasileira

A Gonçalves Dias

Por Machado de Assis (1875)

E repetir aos namorados ecos

Quanto vive e reluz no pensamento.

Sobre a margem das águas escondidas,

Virgem nenhuma suspirou mais terna,

Nem mais válida a voz ergueu na taba,

Suas nobres ações cantando aos ventos,

O guerreiro tamoio. Doce e forte,

Brotava-lhe do peito a alma divina.

Morto, é morto o cantor dos meus guerreiros!

Virgens da mata, suspirai comigo!



***



Coema, a doce amada de Itajubá,

Coema não morreu; a folha agreste

Pode em ramas ornar-lhe a sepultura,

E triste o vento suspirar-lhe em torno;

Ela perdura a virgem dos Timbiras,

Ela vive entre nós. Airosa e linda,

Sua nobre figura adorna as festas

E enflora os sonhos dos valentes. Ele,

O famoso cantor quebrou da morte

O eterno jugo; e a filha da floresta

Há de a história guardar das velhas tabas

Inda depois das últimas ruínas.

Morto, é morto o cantor dos meus guerreiros!

Virgens da mata, suspirai comigo!



***



O piaga, que foge a estranhos olhos,

E vive e morre na floresta escura,

Repita o nome do cantor; nas águas

Que o rio leva ao mar, mande-lhe ao menos

Uma sentida lágrima, arrancada

Do coração que ele tocara outrora,

Quando o ouviu palpitar sereno e puro,

E na voz celebrou de eternos carmes.

Morto, é morto o cantor dos meus guerreiros!

Virgens da mata, suspirai comigo!”


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