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#Contos#Literatura Brasileira

Astúcias de Marido

Por Machado de Assis (1886)

Enfim, soaram as pancadas. À primeira Ernesto estremeceu, à segunda caiu-lhe o braço, e quando lhe diziam que apontasse o alvo para soar a terceira pancada, ele deixou cair a pistola no chão e estendeu a mão para o adversário.

— Prefiro dar a satisfação. Confesso que fui injusto!

— Como? prefere? disseram todos.

— Tenho razões para não morrer, respondeu Ernesto, e confesso que fui injusto. As pazes foram feitas.

Uma gargalhada, uma só, mas terrível, porque foi dada por Clarinha, soou na sala. Voltaram todos para lá. Clarinha tomando as pistolas, apontou-as para Ernesto e disparou-as.

Houve então uma gargalhada geral.

Ernesto tinha o rosto mais enfiado deste mundo. Era um lacre.

Clarinha largou as pistolas e lançou-se nos braços de Valentim.

— Pois tu brincas com a morte, meu amor?

— Com a morte, pelo amor, sim!

Ernesto arranjou daí a dias uma viagem e nunca mais voltou.

Quanto aos nossos esposos, amaram-se muito e tiveram muitos filhos.

FIM.

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