Por Machado de Assis (1876)
CAVALCANTE — Não é já; falta-me ainda a noiva.
D. LEOCÁDIA — Mas quem é que me está falando?
CAVALCANTE — Sou eu, d. Leocádia.
D. LEOCÁDIA — O senhor! O senhor! O senhor!
CAVALCANTE — Eu mesmo. Pedi licença a alguém...
D. LEOCÁDIA — Para casar?
Cena XIV
Os mesmos, Magalhães, d. Adelaide7
MAGALHÃES — Consentiu, titia?
D. LEOCÁDIA — Em reduzir a China a um ano? Mas ele agora quer a vida inteira.
MAGALHÃES — Estás doido?
D. LEOCÁDIA — Sim, a vida inteira, mas é para casar. (d. Carlota fala baixo a d. Adelaide.) Você entende, Magalhães?
CAVALCANTE — Eu, que devia entender, não entendo.
D. ADELAIDE ( que ouviu d. Carlota) — Entendo eu. O dr. Cavalcante contou as suas tristezas a Carlota, e Carlota, meia curada do seu próprio mal, expôs sem querer o que tinha sentido. Entenderam-se e casam-se.
D. LEOCÁDIA, a Carlota — Deveras? (d. Carlota baixa os olhos.) Bem; como é para a saúde dos dois, concedo; são mais duas curas!
MAGALHÃES — Perdão; estas fizeram-se pela receita de um provérbio grego que está aqui neste livro. (Abre o livro.) “Não consultes médico; consulta alguém que tenha estado doente.”
FIM
7 Na primeira edição, este personagem surge erroneamente assinalado como Leocádia.
Baixar texto completo (.txt)ASSIS, Machado de. Não consultes médico. Jornal das Famílias. Rio de Janeiro, 1876.