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#Romances#Literatura Brasileira

Helena

Por Machado de Assis (1876)

Fecharam o féretro; ao moço pareceu que o encerravam a ele próprio. Saindo o enterro, deixou-se Estácio cair numa cadeira, sem pensar nada, sem sentir nada. Pouco a pouco, despovoou-se a casa; os amigos saíram; um só de tantos ainda ali ficou, a lastimar consigo a noiva, tão cedo prometida e tão cedo roubada. Esse mesmo saiu, enfim, não ficando mais do que a família, cujo pai espiritual era Melchior.

Sozinho com Estácio, o capelão contemplou-o longo tempo; depois, alçou os olhos ao retrato do conselheiro, sorriu melancolicamente, voltou -se para o moço, ergueu-o e abraçou com ternura.

Ânimo, meu filho! disse ele.

Perdi tudo, padre-mestre! gemeu Estácio.

Ao mesmo tempo, na casa do Rio Comprido, a noiva de Estácio, consternada com a morte de Helena, e aturdida com a lúgubre cerimônia, recolhia-se tristemente ao quarto de dormir, e recebia à porta o terceiro beijo do pai.


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