Por Machado de Assis (1873)
As semanas, os meses, os anos passaram. Caetaninho não foi esquecido; mas nunca mais se encontraram os olhos dos dous namorados. Oito anos depois morreu D. Ana. A sobrinha aceitou a proteção de uma vizinha e foi para casa dela, onde trabalhava dia e noite. No fim de catorze meses adoeceu de tubérculos pulmonares; arrastou uma vida aparente de dous anos. Tinha quase trinta quando morreu; enterrou-se por esmolas.
Caetaninho viveu; aos trinta e cinco anos era casado, pai de um filho, negociante de fazendas, jogava o voltarete e engordava. Morreu juiz de uma irmandade e comendador.
ASSIS, Machado de. Folha rota. In: ASSIS, Machado de. Contos fluminenses. Rio de Janeiro: Garnier, 1873.