Letras+ | Letródromo | Letropédia | LiRA | PALCO | UnDF



Compartilhar Reportar
#Epopeias#Literatura Brasileira

Feitos de Mem de Sá

Por José de Anchieta (1563)

e lançar em vasos novos os membros feitos em postas,

pô-los a assar ao braseiro e espetar em caniços

os pedaços cortados em pequeninos. O desejo malvado

de todos os crimes, sopitado e pouco a pouco envelhado,

despertava e rejuvenescia ao ardor desses vinhos.

Agora, tudo é silêncio! nenhum rumor se levanta

das casas em confusão; cessou a loucura, e o descanso

tudo cobre delicioso. Tal qual sob o céu agitado

por tenebrosos trovões e varrido de ventos furiosos,

Incha o mar, erguem-se as ondas, e os rolos das vagas

atirando-se contra os rochedos rouquejam de espuma;

e, quando os ventos pousam, calam-se e na lisura dos mares

ao sopro do zéfiro, as ondas de repente se amansam.

Já não ousas agora servir-te de teus artifícios,

perverso feiticeiro, entre povos que seguem

a doutrina de Cristo: já não podes com mãos mentirosas

esfregar membros doentes , nem, com lábios imundos

chupar as partes do corpo que os frios terríveis

enregelaram, nem as vísceras que ardem de febre,

nem as lentas podagras nem os braços inchados.

Já não enganarás com tuas artes os pobres enfermos ,

que muito creram, coitados! nas mentiras do inferno.

Não mais mostrarás ao doente palhas e fios compridos

astuciosamente

« Primeiro‹ Anterior...89101112Próximo ›Último »
Baixar texto completo (.txt)

← Voltar← AnteriorPróximo →