Por José de Anchieta (1563)
e lançar em vasos novos os membros feitos em postas,
pô-los a assar ao braseiro e espetar em caniços
os pedaços cortados em pequeninos. O desejo malvado
de todos os crimes, sopitado e pouco a pouco envelhado,
despertava e rejuvenescia ao ardor desses vinhos.
Agora, tudo é silêncio! nenhum rumor se levanta
das casas em confusão; cessou a loucura, e o descanso
tudo cobre delicioso. Tal qual sob o céu agitado
por tenebrosos trovões e varrido de ventos furiosos,
Incha o mar, erguem-se as ondas, e os rolos das vagas
atirando-se contra os rochedos rouquejam de espuma;
e, quando os ventos pousam, calam-se e na lisura dos mares
ao sopro do zéfiro, as ondas de repente se amansam.
Já não ousas agora servir-te de teus artifícios,
perverso feiticeiro, entre povos que seguem
a doutrina de Cristo: já não podes com mãos mentirosas
esfregar membros doentes , nem, com lábios imundos
chupar as partes do corpo que os frios terríveis
enregelaram, nem as vísceras que ardem de febre,
nem as lentas podagras nem os braços inchados.
Já não enganarás com tuas artes os pobres enfermos ,
que muito creram, coitados! nas mentiras do inferno.
Não mais mostrarás ao doente palhas e fios compridos
astuciosamente
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