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#Contos#Literatura Brasileira

O melhor remédio

Por Machado de Assis (1863)

D. CLA. Por causa dos dous broches, dos vestidos que faço, das rendas que compro, que sou uma gastadeira, que só gosto de andar na rua, fazendo contas, o diabo. Você não imagina o que ouvi. Chorei, chorei, como nunca chorei em minha vida. Se tivesse ânimo, matava-me hoje mesmo. Pois então... E concordo, concordo que não era preciso outro broche mas isto faz-se, Amélia?

D. AMÉ. Realmente...

D. CLA. Eu até sou econômica. Você, que se dá comigo há tantos anos, sabe se não vivo com economia. Um barulho por causa de nada, uns miseráveis broches... D. AMÉ. Há de ser sempre assim. (Chegando à Rua do Ouvidor.) Você desce ou sobe? D. CLA. Eu subo, vou à Glace Elegante; depois desço. Vou ver uma gravura muito bonita, inglesa...

D. AMÉ. Já vi; muito bonita. Vamos juntas.

D. CLA. Há hoje muita gente na Rua do Ouvidor.

D. AMÉ. Olha a Costinha.. Ela não fala com você?

D. CLA. Estamos assim um pouco..

D. AMÉ. E... e depois...

D. CLA. Sim... mas... luvas brancas.

D. AMÉ. ..................?

D. CLA. ...................!

AMBAS (sorrindo) Uma cousa muito engraçada; vou contar-lhe...

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