Por Machado de Assis (1864)
Machado de Assis escreveu “Sinhá” um poema curto e musical que exalta o nome da amada. O eu lírico compara a doçura e a beleza de "Sinhá" a elementos da natureza, como flores, pássaros e o orvalho, elevando a mulher a um patamar sagrado. O poema compõe “Crisálidas” (1864), coletânea de poemas que marca a estreia poética de Machado de Assis (1839–1908). O volume reflete a transição entre o Romantismo da época e a agudeza psicológica que se tornaria sua marca registrada.
O teu nome é como o óleo derramado.
Cântico dos Cânticos.
NEM O PERFUME que expira
A flor, pela tarde amena,
Nem a nota que suspira
Canto de saudade e pena
Nas brandas cordas da lira;
Nem o murmúrio da veia
Que abriu sulco pelo chão
Entre margens de alva areia,
Onde se mira e recreia
Rosa fechada em botão;
Nem o arrulho enternecido
Das pombas nem do arvoredo
Esse amoroso arruído
Quando escuta algum segredo
Pela brisa repetido;
Nem esta saudade pura
Do canto do sabiá
Escondido na espessura
Nada respira doçura
Como o teu nome, Sinhá!
Baixar texto completo (.txt)ASSIS, Machado de. Sinhá. In: ASSIS, Machado de. Crisálidas. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1864.