Por Fernando Pessoa (1930)
Este poema integra a obra “O Pastor Amoroso”, escrita entre 1914 e 1930. Embora alguns poemas avulsos tenham aparecido em revistas literárias, a reunião definitiva só foi publicada em livro em 1946.
O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E, de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe para tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu... Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos vários verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que estão presentes,
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor, uma liberdade no peito.
Baixar texto completo (.txt)PESSOA, Fernando. Poemas de Alberto Caeiro. Edição de Ivo Castro. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2020. Disponível em: https://imprensanacional.pt/wp-content/uploads/2022/03/Poemas-de-AlbertoCaeiro.pdf . Acesso em: 23 jul. 2026.