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#Comédias#Literatura Brasileira

Tu só, tu, puro amor

Por Machado de Assis (1994)

Na primeira impressão escrevi uma nota, que reproduzi na segunda, acrescentando-lhe alguma cousa explicativa. Como na cena primeira se trata da anedota que motivou o epigrama de Camões ao Duque de Aveiro, disse eu ali que, posto se lhe não possa fixar data, usara desta por me parecer um curioso rasgo de costumes. E aduzi: "Engana-se, creio eu, o Sr. Teófilo Braga, quando afirma que ela só podia ter ocorrido depois do regresso de Camões à Lisboa, alegando, para fundamentar essa opinião, que o título de Duque de Aveiro foi criado em 1557. Digo que se engana o ilustre escritor, porque eu encontro o Duque de Aveiro, cinco anos antes, em 1552, indo receber, na qualidade de embaixador, a princesa, D. Joana, noiva do príncipe D. João (veja Mem. e Doc., anexos aos Anais de D. João III, pp. 440 e 441); e, se Camões só em 1553 partiu para a Índia, não é possível que o epigrama e o caso que lhe deu origens fosse anteriores".

Temos ambos razão, o Sr. Teófilo Braga e eu. Com efeito, o ducado de Aveiro só foi criado formalmente em 1557, mas o

agraciado usava o título desde muito antes, por mercê de D. João III; é o que confirma a própria carta régia de 30 de agosto daquele ano. Textualmente inserta na Hist. Geneal, de D. Antonio Caetano de Sousa, que cita em abono da asserção o testemunho de Andrade, na Crônica Del-Rei D. João III. Naquela mesma obra se lê (liv. IV, cap. V) que em 1551, na translação dos ossos del-rei D. Manuel estivera presente o Duque de Aveiro. Não é, pois, impossível que a anedota ocorresse antes da primeira ausência de Camões.

M. DE. A.

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