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#Contos#Literatura Brasileira

Nem uma nem outra

Por Machado de Assis (1862)

Júlia e Castrioto também eram felizes; neste casal o marido era governado pela mulher que se tornara uma rainha em casa. O único desafogo que o marido tinha era escrever furtivamente alguns romances e colaborar num jornalzinho literário que se chamava: O Girassol.

Quanto a Vicente, julgando a regra pelas exceções, e lançando à conta de todos as culpas suas, não queria mais amigos nem amores. Escrevia numa casa comercial, e vivia como um anacoreta. Ultimamente consta que tenciona casar com uma velha... de duzentos contos.

Um amigo, que o encontrou, interrogou-o a esse respeito.

— É verdade, respondeu ele, creio que se efetua o casamento.

— Mas uma velha...

— É melhor; é a hipótese de ser feliz, porque as velhas têm uma fidelidade incomparável e sem exemplo.

— Qual?

— A fidelidade da ruína.

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