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#Poemas em verso#Literatura Brasileira#Literatura

Brites

Por Gregório de Matos (1696)

9
Casai-vos, bebei o trago,
que estou já frito, e assado
por ver o Licenciado
alagado nesse lago
sempre me destes mau pago
ao bem, que sempre vos quis,
e agora estou por um triz
de bem vingado me ver,
se vos quer, ou não vos quer
o Sô Licenciado Ortis.

10
Ele virá no partido,
porque verá como honrado,
que qualquer virgo ensopado
não tem mais do que cozido:
ele é da terra o Cupido,
o Narciso, e o Nanaço,
e não sirva de embaraço
não ir para a nova casa,
cabaço, que se ele casa,
eu jurarei, que é cabaço.

A VISTA DO AMOR, QUE TEVE O POETA A ESTA DAMA, COMO SE COLHE É A SEGUINTE OBRA HUM TESTEMUNHO DA SUA GENEROZIDADE: POIS LHE RECUSA OS SEUS CONVITES, ACONSELHANDO-A A SOFFRER SEU ESPOSO. NEM OS SEUS GALANTEOS FORAM COM PESSOA PROHIBIDA.

1
Vós casada, e eu vingado,
todo o meu coração sente,
mas a vingança presente
mais que o agravo passado:
o agravo já perdoado
pelas desculpas, que dais,
menos dor me ocasionais
por ser contra meu respeito
que, o que contra vós é feito,
força é, que doa mais.

2
Chorar vosso casamento
é sentir a minha dor
e agora me obriga Amor
a sentir vosso tormento:
vosso descontentamento
do meu mal distância encerra,
que no meu coração não erra
censurando um, e outro sim,
pois de vós vai tanto a mim,
como vai dos céus a terra.

3
Um só coração assestam
os pesares, de quem ama,
mas os pesares da Dama
a dois corações molestam:
se duas vidas infestam
males, de que estais sentida,
com razão, prenda querida,
dois prantos faço em comum.
pela minha vida um,
outro pela vossa vida.

4
Levai prudenre, e sagaz
esse cargo, essa pensão,
porque o erro da eleição
consigo outros erros traz:
se é de remédio incapaz
o erro do casamento,
dissimule o sofrimento
esse erro: porque maior
não faça o erro de amor
erros do arrependimento.

COM ESTA RESPOSTA SE AVIVARAM NA DAMA OS INCENDIOS DE AMOR E NO POETA SE AVIVARAM OS QUILATES DESTA HONRA.

Não me culpes, Filena, não de ingrato,
Se notado hás de mim tanta esquivança;
Por que a força do fado em tal mudança
Ou inclina o desdém, ou move o trato.

Mas que importa, se quando olvidar trato
Teus amores por lei, que não se alcança,
Dura impressa no amor tua lembrança;
Vive n'alma estampado teu retrato.

Os efeitos combatem da vontade
Amoroso desdém zelosa pena,
Produzindo tão grande variedade.

Teu amor, que me obriga, te condena,
Que como não tens livre a liberdade,
Não me podes prender o amor, Filena.

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