Por Machado de Assis (1876)
Era do chefe da repartição.
Participava-lhe que, não comparecendo ele com a assiduidade de costume, antes fugindo absolutamente do trabalho, resolvera o ministro demiti-lo.
André Soares caiu sem sentidos no chão.
Um mês depois, estando a almoçar pacificamente no Carceller, graças ao crédito que obtivera de um amigo e antigo companheiro de casa, viu passar Horácio e a viúva de braço dado.
Estavam casados.
— Miseráveis! grunhiu André Soares.
MORALIDADE
Mas onde está a moralidade do conto? pergunta a leitora espantada com ver esta série de acontecimentos descosidos e vulgares.
A moralidade está nisso.
Tendo perdido a esperança de obter um emprego de duzentos mil-réis, quando apenas desfrutava um de cento e vinte, assentou André Soares de dar cabo da vida. No dia, porém, em que perdeu a noiva e o emprego de cento e vinte mil-réis, com um insulto físico de quebra, não se matou, nem tentou matar-se, nem se lembrou de o fazer. Tanto é certo que o suicídio depende mais das impressões e disposições do momento, que da gravidade do mal. Disse.
Baixar texto completo (.txt)ASSIS, Machado de. To be or not to be. Jornal das Famílias, Rio de Janeiro, 1876.