Por Machado de Assis (1873)
— Sim.
— Foi ao senhor.
— A mim!
— Sim, senhor; sábado passado.
— Não é possível!
— Não se lembra que me disse na Rua do Ouvidor, quando falávamos das proezas da…
— Ah! mas não foi isso! exclamou o major. O que eu lhe disse foi outra coisa. Disse-lhe que era capaz de castigar a minha sobrinha se ela, estando agora para casar, deitasse os olhos a algum alferes que passasse.
— Nada mais? perguntou o capitão.
— Mais nada.
— Realmente é curioso.
O major despediu-se do desembargador, levou o capitão até Mata-porcos e foi direito para casa praguejando contra si e todo o mundo.
Ao entrar em casa estava já mais aplacado. O que o consolou foi a idéia de que o boato podia ser mais prejudicial do que fora. Na cama ainda pensou no acontecimento, mas já se ria da maçada que dera aos noveleiros. Suas últimas palavras antes de dormir foram:
— Quem conta um conto...
Baixar texto completo (.txt)ASSIS, Machado de. Quem conta um conto.... Jornal das Famílias. Rio de Janeiro, 1873.