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#Ensaios#Literatura Brasileira

A Arcádia da Alemanha

Por Euclides da Cunha (1907)

Resta-lhe o gravitar passivo na órbita desmedida da Rússia. Mas esta há de arrebatá-lo para o Oriente, longe.

Além disto, o príncipe de Monroe, interpretemo-lo à vontade, com ser um reflexo político dos interesses estritamente comerciais do ianque, tem o valor de nos facilitar ao menos uma longa trégua.

Podemos deixar estas batalhas de frases contra fantasmas e voltar à luta real, à campanha austera do nosso alevantamento próprio.

Que a Alemanha sonhe à vontade: é a grande terra idealista por excelência, onde os mesmos matemáticos da envergadura de Leibnitz são poetas.

Ali nasceu Schiller, de quem se conhece um verso admirável. Arcádia, pátria ideal de toda a gente!

Sendo assim, errou o minúsculo sociólogo precipitado, A Arcádia da Alemanha não é o Brasil.

Lá está dentro dela mesmo, no seu melhor retalho, na Prússia liricamente guerreira e fantasista, onde, nesta hora, tumultuam não sabemos quantos marechais devaneadores e não sabemos quantos filósofos belicosos.

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