Por Machado de Assis (1894)
mas mil, dous mil, no mínimo. Do mesmo modo, ó poetas, devemos compor versos extraordinários e rimas inauditas. Fora com as cantigas de pouco fôlego. Vamos fazê-las de mil estrofes, com estribilho de cinquenta versos, e versos compridos, dous decassílabos atados por um alexandrino e uma redondilha. Pélion sobre Ossa, versos de Adamastor, versos de Encélado.
Rimemos o Atlântico com o Pacíco, a Via Láctea com as areias do mar, ambições com malogros, empréstimos com calotes, tudo ao som das polcas que temos visto compor, vender e dançar só no Rio de Janeiro. Ó vertigem das vertigens!
ASSIS, Machado de. Canção de piratas. Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 22 jul. 1894.