Por Machado de Assis (1877)
— Não! não! murmurou Silvestre.
Camila recuou dois passos da janela; a palidez de Silvestre assustava-a. Ia a falar, mas já ele não a podia ouvir, atirando o corpo para trás rolara pelo telhado abaixo até a rua; Camila soltou um grito...
Agora, o melhor era ir buscar o jovem pintor vivo e são, fazer com que os dois se explicassem; restituí-lo à família e pendurar o quadro. Mas se as coisas não se passaram assim! O rapaz morreu; Camila enlouqueceu quase; os pais não tiveram nenhuma consolação na terra — nenhuma, além da memória do filho.
A morte teve uma explicação: o delírio do talento satisfeito. Foi a explicação de Luís Borges e dos pais do artista. Mas há outra explicação muito mais exata; Silvestre iludiu se; viu um gesto de amor onde havia uma alteração de vaidade ingênua. E tendo obtido tudo o que queria, que era a beleza de Camila, fugia-lhe desde que lhe supôs a oferta do coração.
Baixar texto completo (.txt)ASSIS, Machado de. Silvestre. Jornal das Famílias, Rio de Janeiro, 1877.