Gerativismo

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O gerativismo, também denominado linguística gerativa, é um programa de investigação científica da linguagem iniciado na década de 1950 e associado principalmente à obra de Noam Chomsky. Seu objetivo central é explicar o conhecimento linguístico que permite aos seres humanos adquirir, produzir e compreender expressões de uma língua, inclusive expressões que nunca encontraram anteriormente.

Em sentido amplo, o gerativismo compreende um conjunto heterogêneo de teorias sobre a estrutura das línguas, a aquisição da linguagem, a natureza da faculdade da linguagem e sua inserção na arquitetura cognitiva humana. Ao longo de aproximadamente sete décadas, o programa passou por reformulações profundas. Entre suas principais fases encontram-se a gramática transformacional inicial, a Teoria Padrão, a Teoria Padrão Estendida, o modelo de Regência e Ligação, a Teoria de Princípios e Parâmetros e o Programa Minimalista.

A palavra gerativa não significa que a gramática ensine alguém a produzir frases, nem que descreva os processos conscientes utilizados durante a fala. Em seu sentido técnico original, uma gramática é gerativa quando fornece uma caracterização explícita das expressões estruturalmente possíveis de uma língua. Idealmente, ela associa a cada expressão uma representação de suas propriedades sonoras, sintáticas e semânticas.

A linguística gerativa deslocou o centro da investigação de corpora de enunciados observados para o sistema de conhecimento que torna esses enunciados possíveis. Em vez de identificar uma língua com um conjunto finito de frases registradas, os gerativistas procuram explicar como um falante é capaz de produzir e compreender uma quantidade potencialmente ilimitada de expressões a partir de recursos finitos.

Esse deslocamento contribuiu para a constituição das ciências cognitivas na segunda metade do século XX. A linguagem passou a ser tratada não apenas como instituição social ou conjunto de comportamentos, mas também como capacidade mental e biológica da espécie humana. O gerativismo influenciou a sintaxe, a fonologia, a morfologia, a semântica formal, a psicolinguística, a neurolinguística, a filosofia da linguagem, a ciência da computação e os estudos sobre aquisição.

O programa, entretanto, nunca foi inteiramente homogêneo. Existem diferentes teorias gerativas, divergências internas sobre a arquitetura da gramática e interpretações distintas de conceitos como Gramática Universal, parâmetro, traço, operação, interface e explicação. Também não se deve confundir toda teoria formal da linguagem com o gerativismo chomskiano: gramáticas categoriais, gramáticas de adjunção de árvores, gramáticas léxico-funcionais, gramáticas sintagmáticas nucleadas e outros modelos podem ser gerativos em sentido formal sem adotar o conjunto das hipóteses biológicas e epistemológicas associadas a Chomsky.

Definição e delimitação[editar]

O gerativismo pode ser compreendido em pelo menos três sentidos relacionados.

Em primeiro lugar, gramática gerativa designa formalmente um sistema capaz de definir um conjunto de expressões e atribuir-lhes descrições estruturais. Nesse sentido, diferentes modelos matemáticos podem ser gerativos sem assumir uma teoria específica da mente.

Em segundo lugar, linguística gerativa designa uma tradição teórica que investiga as representações e operações responsáveis pelo conhecimento linguístico. Essa tradição inclui a gramática transformacional, a fonologia gerativa, a semântica gerativa, a Teoria de Regência e Ligação, a Teoria de Princípios e Parâmetros e o Programa Minimalista, entre outros desenvolvimentos.

Em terceiro lugar, programa gerativista pode referir-se a um projeto mais amplo sobre a natureza da linguagem humana. Nesse projeto, a capacidade linguística é tratada como parte da dotação biológica da espécie, cujo estado inicial restringe as gramáticas que podem ser adquiridas e cujo desenvolvimento resulta da interação entre fatores internos e experiência.

Esses sentidos não devem ser confundidos. É possível estudar formalmente gramáticas gerativas sem aceitar uma Gramática Universal rica; é possível defender representações mentais da sintaxe sem adotar todas as propostas minimalistas; e é possível pesquisar a base biológica da linguagem fora da tradição chomskiana.

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Origem do termo[editar]

O verbo gerar é utilizado na matemática e na lógica para indicar que um sistema formal define ou enumera objetos por meio de regras. Uma gramática gera uma sentença quando a sentença pertence ao conjunto de expressões caracterizado pelo sistema.

Gerar não equivale, nesse contexto, a descrever uma sequência temporal de eventos psicológicos. Uma derivação gramatical pode representar relações formais entre estruturas sem pretender reproduzir passo a passo a atividade cerebral de um falante.

A distinção entre geração fraca e geração forte tornou-se importante. Uma gramática gera fracamente um conjunto quando identifica quais sequências pertencem à língua. Gera fortemente quando, além disso, atribui estruturas específicas a essas sequências.

Duas gramáticas podem gerar as mesmas cadeias de palavras, mas atribuir-lhes organizações hierárquicas diferentes. Para a linguística, a geração forte é fundamental, porque sentenças superficialmente idênticas podem ter interpretações distintas e sentenças linearmente diferentes podem compartilhar relações estruturais relevantes.

Contexto histórico[editar]

O estruturalismo americano[editar]

Na primeira metade do século XX, grande parte da linguística acadêmica dos Estados Unidos era influenciada pelo estruturalismo americano. A tradição reunia a linguística antropológica de Franz Boas e Edward Sapir, a linguística descritiva de Leonard Bloomfield, a fonêmica, a morfêmica, a análise de constituintes imediatos e o distribucionalismo.

Os estruturalistas haviam desenvolvido procedimentos rigorosos para documentar línguas, identificar fonemas, segmentar morfemas e classificar unidades segundo suas distribuições. Esse trabalho foi decisivo para a constituição da linguística como disciplina autônoma.

Não é historicamente adequado, contudo, reduzir todo o estruturalismo americano a uma teoria behaviorista baseada apenas em corpora. Sapir atribuía importância à realidade psicológica dos padrões; Bloomfield possuía formação histórico-comparativa e não eliminou inteiramente o significado; Harris desenvolveu transformações, análise do discurso e modelos matemáticos.

O gerativismo nasceu dentro desse ambiente institucional e herdou parte de seus problemas e instrumentos. Chomsky estudou com Zellig Harris, trabalhou inicialmente com morfofonêmica e conhecia profundamente os métodos formais da linguística estrutural.

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Zellig Harris e as transformações[editar]

Harris teve importância direta na formação de Chomsky. Sua linguística procurava caracterizar as relações distribucionais existentes entre os elementos de uma língua e, posteriormente, as correspondências sistemáticas entre conjuntos de sentenças.

Uma frase ativa e uma passiva, por exemplo, podiam ser relacionadas por uma transformação. Para Harris, as transformações eram inicialmente relações formais entre tipos de sentença, e não necessariamente operações mentais aplicadas a estruturas internas.

Chomsky aproveitou problemas e conceitos provenientes desse quadro, mas os reorganizou. Em seus primeiros modelos, uma gramática deveria gerar estruturas e aplicar transformações formalmente especificadas. Posteriormente, a teoria passou a interpretar a gramática como representação de um sistema cognitivo individual.

A relação entre Harris e Chomsky combina, portanto, continuidade e ruptura. A noção de transformação, a preocupação com a explicitude e o interesse pela formalização possuem antecedentes harrisianos. A concepção internalista, a teoria da aquisição e o estatuto atribuído à gramática como conhecimento mental representam mudanças fundamentais.

Behaviorismo[editar]

A psicologia behaviorista exercia grande influência nas ciências humanas norte-americanas durante a primeira metade do século XX. Suas diferentes vertentes procuravam explicar o comportamento por relações entre estímulos, respostas, reforço e história de aprendizagem, evitando recorrer a entidades mentais não observáveis.

Bloomfield aproximou-se especialmente do behaviorismo de John B. Watson. B. F. Skinner, por sua vez, desenvolveu uma análise própria do comportamento verbal, publicada de maneira sistemática em Verbal Behavior, em 1957.

Em 1959, Chomsky publicou uma extensa resenha crítica da obra de Skinner. Argumentou que conceitos elaborados em condições experimentais controladas perdiam precisão quando estendidos a comportamentos linguísticos complexos. Também sustentou que imitação, associação e reforço não explicavam adequadamente a produtividade, a estrutura e a aquisição da linguagem.

A resenha tornou-se símbolo da chamada revolução cognitiva. Sua importância histórica não significa que tenha refutado experimentalmente todas as teorias comportamentais nem que o behaviorismo tenha desaparecido imediatamente. A relação entre a crítica chomskiana, a psicologia cognitiva e o declínio do behaviorismo foi gradual e institucionalmente complexa.

A revolução cognitiva[editar]

Nas décadas de 1950 e 1960, diferentes áreas passaram a investigar representações e processos mentais. A teoria da informação, a cibernética, a inteligência artificial, a psicologia da memória, a filosofia da mente e a linguística contribuíram para a formação das ciências cognitivas.

O gerativismo integrou esse movimento ao defender que o comportamento linguístico não pode ser explicado sem postular um sistema interno de conhecimento. A produção de uma frase seria um efeito observável de capacidades e representações que não se reduzem à sequência de estímulos recebidos pelo indivíduo.

A expressão revolução cognitiva descreve uma mudança efetiva de orientação, mas pode sugerir uma ruptura mais súbita e uniforme do que aquela documentada historicamente. Abordagens mentalistas existiam antes de Chomsky; pesquisadores estruturalistas discutiam representação e criatividade; e diferentes formas de behaviorismo continuaram ativas.

Lógica, matemática e teoria da computação[editar]

A formação do gerativismo também dependeu do desenvolvimento da lógica matemática e da teoria da computação. A possibilidade de representar formalmente regras, derivações e classes de linguagens ofereceu instrumentos para definir com precisão diferentes tipos de gramática.

Chomsky distinguiu classes de sistemas formais segundo seu poder gerativo. A chamada hierarquia de Chomsky inclui gramáticas regulares, livres de contexto, sensíveis ao contexto e irrestritas. Essa classificação tornou-se importante na teoria das linguagens formais e na ciência da computação.

As línguas naturais não são simplesmente identificadas com uma dessas classes. A hierarquia mostra que mecanismos formais distintos possuem capacidades diferentes e que uma teoria da linguagem precisa especificar quais recursos são necessários para representar as estruturas humanas.

A chamada revolução gerativista[editar]

A publicação de Syntactic Structures, em 1957, é frequentemente tomada como marco inicial da linguística gerativa. O livro apresentou uma versão condensada de trabalhos anteriores de Chomsky, especialmente a extensa pesquisa conhecida como The Logical Structure of Linguistic Theory.

A mudança gerativista pode ser resumida por alguns deslocamentos:

  • do corpus para o conhecimento que permite produzir e compreender expressões;
  • da classificação de unidades para a formulação de sistemas explícitos de regras;
  • da descrição de sequências atestadas para a caracterização de possibilidades estruturais;
  • da rejeição metodológica do mentalismo para a investigação de representações internas;
  • da aprendizagem como formação de hábitos para a aquisição como desenvolvimento de um sistema;
  • da diversidade observável para a busca das propriedades comuns da faculdade humana da linguagem.

Essas oposições são úteis, mas não absolutas. Os gerativistas também utilizam corpora; os estruturalistas formulavam generalizações; e uma descrição distribucional não precisava constituir teoria behaviorista.

A expressão revolução gerativista foi difundida tanto por participantes do movimento quanto por historiadores. Estudos posteriores mostraram que a consolidação do gerativismo envolveu debates internos, redes universitárias, financiamento científico, formação de estudantes e mudanças nas instituições acadêmicas.

Pressupostos epistemológicos[editar]

Naturalismo[editar]

O gerativismo pretende estudar a linguagem como fenômeno do mundo natural. A faculdade da linguagem é tratada como propriedade de organismos humanos, comparável, em termos gerais, a outros sistemas biológicos e cognitivos.

Essa posição não implica que a linguagem possa ser reduzida imediatamente à biologia celular ou à neuroanatomia. A investigação pode operar em diferentes níveis: propriedades formais da gramática, mecanismos de aquisição, processamento, desenvolvimento neural e evolução.

O naturalismo gerativista opõe-se a concepções segundo as quais a língua seria apenas convenção externa ou instituição social. Convenções e comunidades são relevantes, mas pressupõem indivíduos dotados de capacidade para adquirir e utilizar sistemas linguísticos.

Internalismo[editar]

A linguística gerativa é caracteristicamente internalista. Seu objeto principal é o sistema de conhecimento linguístico de um indivíduo, e não uma entidade coletiva definida apenas por práticas sociais.

Chomsky introduziu a distinção entre língua-I e língua-E. A língua-I é interna, individual e intensional: corresponde ao sistema incorporado na mente do falante. A língua-E é externa e extensional: pode designar um conjunto de frases, uma prática comunitária ou uma língua identificada por critérios sociais e políticos.

O gerativismo privilegia a língua-I porque procura explicar como o indivíduo conhece sua língua. Isso não significa negar a existência de comunidades linguísticas ou da variação social, mas delimitar um objeto específico de investigação.

Críticos argumentam que a competência individual é constituída por interação, práticas e convenções sociais e não pode ser isolada inteiramente. O debate entre internalismo e externalismo permanece central na filosofia da linguagem e nas teorias linguísticas.

Mentalismo[editar]

Uma gramática é interpretada como representação do conhecimento linguístico. As regras e princípios propostos pela teoria não são apenas resumos dos dados; pretendem caracterizar propriedades do sistema cognitivo que torna os dados possíveis.

O termo mentalismo não implica que todas as entidades teóricas sejam conscientes. Falantes normalmente não conseguem explicar as regras que dominam, assim como não possuem conhecimento consciente dos mecanismos visuais utilizados para reconhecer objetos.

A realidade psicológica de uma representação não é garantida apenas por sua elegância formal. Hipóteses gramaticais precisam ser relacionadas a dados de aquisição, processamento, variação, patologia e neurociência, ainda que a conexão entre níveis seja complexa.

Racionalismo[editar]

O gerativismo é frequentemente associado ao racionalismo. A experiência linguística seria necessária para determinar qual língua se desenvolve, mas não conteria informação suficiente para explicar, sem restrições internas, o sistema adquirido.

A mente não seria uma superfície passiva sobre a qual os dados escrevem associações. A criança interpreta a experiência a partir de capacidades e expectativas que delimitam as hipóteses possíveis.

Chomsky relacionou esse problema à tradição filosófica racionalista, especialmente a questões discutidas por Descartes, Leibniz e Humboldt. A expressão linguística cartesiana, entretanto, recebeu críticas historiográficas por reunir autores muito diferentes sob uma narrativa orientada por problemas contemporâneos.

Explicação e adequação[editar]

Chomsky distinguiu diferentes níveis de adequação de uma teoria linguística.

Uma gramática alcança adequação observacional quando representa corretamente os dados considerados.

Alcança adequação descritiva quando caracteriza o conhecimento linguístico do falante, incluindo as estruturas e generalizações relevantes.

Uma teoria alcança adequação explicativa quando explica como uma criança, diante da experiência disponível, pode adquirir uma gramática desse tipo.

Posteriormente, o Programa Minimalista passou a discutir a possibilidade de ir além da adequação explicativa, investigando por que a faculdade da linguagem apresenta determinadas propriedades e em que medida elas resultam de princípios gerais de eficiência, arquitetura e desenvolvimento.

Objeto da linguística gerativa[editar]

O objeto central não é uma coleção de frases, mas a capacidade que permite aos falantes julgar, construir e interpretar expressões.

Um falante de português reconhece que:

A pesquisadora examinou os documentos.

é uma sentença possível. Também percebe relações entre:

A pesquisadora examinou os documentos.
Os documentos foram examinados pela pesquisadora.
Quais documentos a pesquisadora examinou?

Esse conhecimento inclui ordem, concordância, dependências, ambiguidades, possibilidades de referência e restrições que o falante normalmente não aprendeu por instrução explícita.

A gramática gerativa procura representar esse conhecimento por meio de categorias, traços, operações, princípios e níveis de interface. A forma exata desses mecanismos mudou em cada fase da teoria.

Conceitos fundamentais[editar]

Faculdade da linguagem[editar]

A faculdade da linguagem é a capacidade humana responsável pela aquisição e utilização de línguas. Ela inclui mecanismos que permitem construir, interpretar e externalizar expressões estruturadas.

Em formulações clássicas, a faculdade da linguagem era concebida como componente relativamente específico da mente. Em trabalhos biolinguísticos posteriores, distingue-se frequentemente entre a faculdade da linguagem em sentido amplo e em sentido estrito.

A faculdade da linguagem em sentido amplo inclui o sistema computacional linguístico e os sistemas cognitivos e sensório-motores com que ele interage.

A faculdade da linguagem em sentido estrito refere-se ao componente especificamente linguístico. Houve propostas de que sua propriedade central seria uma capacidade recursiva de combinação; essa hipótese foi amplamente debatida e não representa consenso geral nem mesmo entre pesquisadores próximos ao programa.

A delimitação do que é exclusivo da linguagem, compartilhado com outras capacidades humanas ou encontrado em outras espécies permanece questão empírica.

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Competência e desempenho[editar]

Em Aspects of the Theory of Syntax, Chomsky distinguiu competência e desempenho.

A competência é o conhecimento que o falante-ouvinte possui de sua língua. O desempenho é o uso desse conhecimento em situações concretas, sujeito a limitações de memória, atenção, planejamento, percepção e interação.

Uma pessoa pode interromper uma frase, esquecer um termo ou interpretar inicialmente uma estrutura de modo inadequado sem que isso demonstre ausência da regra gramatical correspondente.

A distinção permitiu delimitar um objeto para a teoria gramatical, mas recebeu críticas. O uso linguístico não é simples reflexo imperfeito de um sistema isolado: frequência, processamento, contexto e interação podem participar da própria organização do conhecimento.

Modelos posteriores distinguem diferentes componentes — competência gramatical, conhecimento pragmático, processamento, memória e habilidades comunicativas — sem necessariamente adotar a idealização original.

No Programa Minimalista, a expressão língua-I tornou-se frequentemente mais importante do que a oposição clássica entre competência e desempenho.

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Criatividade linguística[editar]

A criatividade linguística é a capacidade de produzir e compreender expressões novas. O termo não se refere apenas à criatividade artística, mas ao uso normal da linguagem.

Falantes combinam recursos finitos de modo aberto. Mesmo uma sentença que nunca apareceu anteriormente pode ser imediatamente compreendida se estiver de acordo com as propriedades da língua.

A criatividade possui duas dimensões. A primeira é a produtividade estrutural: regras e operações podem ser aplicadas a novos itens e configurações. A segunda é a adequação às situações: os falantes utilizam expressões de maneira não completamente determinada pelos estímulos imediatos.

A produtividade não prova, por si só, uma versão específica da Gramática Universal. Diferentes teorias procuram explicá-la por regras simbólicas, construções, analogias, esquemas, mecanismos estatísticos ou combinações desses fatores.

Infinitude discreta[editar]

A linguagem apresenta aquilo que Chomsky denominou infinitude discreta. Um conjunto finito de unidades pode ser combinado para formar expressões de extensão potencialmente ilimitada.

Uma oração pode ser inserida em outra:

A professora afirmou que o aluno descobriu que o texto mostrava que...

Não há, em princípio, um maior tamanho gramatical determinado pelo sistema. Na prática, memória, atenção e condições de uso limitam a extensão das expressões.

A infinitude é uma propriedade idealizada do sistema, não uma afirmação de que seres humanos realmente produzam frases infinitas.

Recursividade[editar]

A recursividade ocorre quando uma operação ou regra pode aplicar-se a uma estrutura que contém uma unidade do mesmo tipo, permitindo encaixes sucessivos.

Orações podem conter orações; grupos nominais podem conter modificadores que incluem outros grupos nominais. A recursividade contribui para a produtividade, mas não é sinônimo de toda combinação hierárquica.

No Minimalismo, a operação Merge é frequentemente apresentada como recursivamente aplicável: combina objetos sintáticos e pode utilizar como entrada resultados de aplicações anteriores.

A afirmação de que a recursividade é exclusiva da linguagem humana, universalmente manifestada em todas as línguas ou suficiente para caracterizar a faculdade da linguagem é objeto de debates empíricos e conceituais.

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Estrutura hierárquica[editar]

Para a linguística gerativa, as sentenças não são apenas sequências de palavras. Seus elementos formam constituintes hierarquicamente organizados.

Na frase:

A pesquisadora examinou os documentos antigos.

os documentos antigos forma um constituinte; dentro dele, documentos antigos constitui outro agrupamento. Essas relações influenciam interpretação, concordância, deslocamento e substituição.

A dependência da estrutura significa que as regras gramaticais normalmente se referem a configurações hierárquicas, não apenas à posição linear.

Para formar uma interrogativa em inglês, por exemplo, a criança não aprende simplesmente a mover o primeiro auxiliar encontrado da esquerda para a direita; a operação é sensível à estrutura da oração.

Dependência estrutural[editar]

A dependência estrutural é o princípio segundo o qual operações gramaticais fazem referência a relações hierárquicas.

Considere-se, de maneira simplificada, a formação de uma pergunta a partir de:

The boy is happy.

A pergunta é:

Is the boy happy?

Uma regra puramente linear poderia ser formulada como “mova o primeiro is para o início”. Mas em uma sentença como:

The boy who is smiling is happy.

a pergunta adequada é:

Is the boy who is smiling happy?

e não:

  • Is the boy who smiling is happy?

A regra precisa identificar o auxiliar da oração principal, o que exige estrutura hierárquica.

Exemplos desse tipo foram utilizados no debate sobre pobreza do estímulo. Críticos discutem quais dados estão efetivamente disponíveis, que mecanismos de aprendizagem poderiam extrair as regularidades e se a formulação depende de pressupostos específicos sobre representação.

Gramaticalidade e aceitabilidade[editar]

Gramaticalidade é a conformidade de uma expressão com o sistema linguístico. Aceitabilidade é o grau em que uma expressão é julgada natural ou processável em determinadas condições.

Uma sentença pode ser gramatical, mas difícil de compreender por excesso de encaixamentos. Outra pode ser facilmente interpretável, apesar de se afastar de padrões normativos ou da variedade tomada como objeto.

A distinção é analítica. Na prática, julgamentos de gramaticalidade são obtidos por respostas de falantes e podem ser influenciados por frequência, contexto, escolarização, prescrição, tarefa experimental e variação dialetal.

A pesquisa contemporânea utiliza escalas, comparações controladas, medidas de tempo de leitura e corpora para complementar julgamentos categóricos.

Autonomia relativa da sintaxe[editar]

Syntactic Structures defendeu que a gramaticalidade não pode ser reduzida à probabilidade estatística nem à coerência semântica.

O exemplo clássico:

Colorless green ideas sleep furiously.

é semanticamente estranho, mas apresenta uma estrutura sintática reconhecível. Uma sequência com as mesmas palavras em ordem inadequada é percebida de maneira diferente.

O argumento não afirma que sintaxe e semântica nunca interajam. Sustenta que há generalizações estruturais que não podem ser derivadas apenas do significado ou da frequência.

As teorias gerativas posteriores investigaram extensamente as interfaces entre sintaxe, semântica e discurso. A autonomia é, portanto, relativa, não isolamento absoluto.

Pobreza do estímulo[editar]

O argumento da pobreza do estímulo afirma que determinados conhecimentos linguísticos não parecem poder ser derivados apenas dos dados disponíveis à criança por mecanismos gerais irrestritos.

A criança recebe amostras finitas, variáveis e dependentes de contexto. Ainda assim, desenvolve conhecimentos sobre estruturas que raramente aparecem e evita generalizações logicamente possíveis.

O argumento costuma envolver três componentes:

  1. caracterização do conhecimento adquirido;
  1. descrição da experiência disponível;
  1. demonstração de que determinados mecanismos de aprendizagem não bastariam para ligar experiência e conhecimento.

A pobreza do estímulo não é um único argumento, mas uma família de argumentos relativos a fenômenos específicos.

Críticos contestam a caracterização dos dados como insuficientes, apontam regularidades estatísticas, interação social e aprendizagem indireta. Gerativistas respondem que a presença de informação não explica automaticamente como ela é identificada e generalizada.

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Problema de Platão[editar]

Chomsky denominou Problema de Platão a questão de como os seres humanos conhecem tanto a partir de experiência aparentemente limitada.

Na linguagem, o problema corresponde à distância entre o caráter parcial dos dados e a riqueza do conhecimento adquirido.

A formulação não implica que a experiência seja irrelevante. Uma criança criada em ambiente lusófono adquire português, não japonês. A questão é que a experiência atua sobre um organismo dotado de estrutura e mecanismos de desenvolvimento.

Problema de Orwell[editar]

Em textos políticos e filosóficos, Chomsky empregou a expressão Problema de Orwell para perguntar como as pessoas podem conhecer tão pouco apesar da abundância de informações disponíveis.

Esse problema não integra a teoria gramatical propriamente dita. Sua presença na obra geral de Chomsky não deve ser confundida com os conceitos técnicos da linguística gerativa.

Gramática Universal[editar]

A Gramática Universal — frequentemente abreviada como GU — é uma hipótese sobre o estado inicial da faculdade da linguagem. Ela procura caracterizar as propriedades que tornam possível a aquisição de línguas humanas.

A concepção de GU mudou significativamente.

Nas primeiras teorias, a Gramática Universal podia ser entendida como teoria do formato das gramáticas possíveis, incluindo tipos de regras, categorias e condições formais.

No modelo de Princípios e Parâmetros, passou a ser apresentada como conjunto de princípios compartilhados e pontos limitados de variação.

No Programa Minimalista, busca-se reduzir seu conteúdo específico, atribuindo parte das propriedades linguísticas a princípios gerais de eficiência computacional, às interfaces e às condições de desenvolvimento.

A GU não é uma gramática completa presente ao nascimento. Também não é uma lista das regras do português, do inglês ou de outra língua. É uma hipótese sobre capacidades e restrições que possibilitam o desenvolvimento de gramáticas particulares.

A expressão inata pode causar confusão. Uma propriedade inata não precisa estar plenamente formada ao nascer, ser controlada por um único gene ou desenvolver-se sem experiência. Significa que sua emergência depende de características internas do organismo, em interação com ambiente e desenvolvimento.

A existência, o conteúdo e a especificidade linguística da Gramática Universal são amplamente debatidos. Abordagens baseadas no uso, conexionistas, emergentistas e cultural-evolutivas procuram explicar as regularidades das línguas com mecanismos mais gerais e processos históricos.

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Aquisição da linguagem[editar]

A aquisição ocupa posição central no gerativismo porque permite relacionar a diversidade das línguas ao estado inicial da faculdade.

O problema lógico da aquisição[editar]

O problema lógico da aquisição pergunta como a criança passa da experiência linguística a um sistema de conhecimento.

A investigação não se limita à ordem cronológica em que palavras e construções aparecem. Procura identificar:

  • qual é a natureza do conhecimento final;
  • que dados estão disponíveis;
  • quais hipóteses a criança considera;
  • que mecanismos permitem selecionar uma gramática;
  • por que certas generalizações não ocorrem.

Dispositivo de aquisição da linguagem[editar]

Em exposições antigas e manuais introdutórios, aparece a expressão dispositivo de aquisição da linguagem. Ela representa abstratamente o mecanismo que recebe dados da experiência e produz uma gramática.

Não se trata de órgão anatômico isolado nem de uma caixa localizada em área específica do cérebro. É uma idealização funcional.

O termo tornou-se menos frequente em fases posteriores, que passaram a discutir estado inicial, faculdade da linguagem, princípios, parâmetros e fatores de desenvolvimento.

Evidência positiva e negativa[editar]

Evidência positiva corresponde às expressões que a criança encontra. Evidência negativa informa que determinada expressão ou hipótese não pertence à língua.

As crianças não recebem correção explícita sistemática de todas as estruturas impossíveis. Mesmo quando adultos corrigem conteúdo ou pronúncia, a criança pode não interpretar a correção como informação gramatical.

Gerativistas argumentaram que a relativa escassez de evidência negativa limita as hipóteses que poderiam ser aprendidas por simples tentativa e erro.

Pesquisas posteriores investigaram formas indiretas de evidência negativa, como ausência estatisticamente significativa, reformulações dos adultos, expectativas distribucionais e falhas comunicativas. O alcance dessas fontes permanece debatido.

Aprendizagem e desenvolvimento[editar]

A linguagem não é adquirida instantaneamente. O desenvolvimento envolve maturação, crescimento lexical, processamento, memória, interação e exposição.

Teorias gerativas contemporâneas procuram distinguir propriedades da representação adulta de mecanismos de desenvolvimento. Nem toda diferença entre criança e adulto precisa corresponder a uma gramática completamente diferente; pode resultar de limitações de processamento ou do desenvolvimento de outros sistemas.

Parâmetros[editar]

Na Teoria de Princípios e Parâmetros, a aquisição foi frequentemente descrita como fixação de parâmetros a partir dos dados.

Um parâmetro seria um ponto limitado de variação oferecido pela Gramática Universal. A experiência indicaria à criança qual valor corresponde à língua.

Exemplos clássicos incluíam a possibilidade de sujeito nulo e a direção do núcleo em relação aos complementos. Pesquisas posteriores mostraram que essas generalizações envolvem conjuntos complexos de propriedades e não se deixam reduzir facilmente a interruptores binários.

No Minimalismo, muitos autores reinterpretaram parâmetros como propriedades de itens funcionais ou traços lexicais. Outros questionaram a necessidade de parâmetros globais.

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Metodologia de investigação[editar]

Julgamentos de aceitabilidade[editar]

A linguística gerativa utiliza julgamentos de falantes para investigar contrastes que podem ser raros em corpora.

Exemplos são apresentados com marcas convencionais:

  • ausência de marca: expressão considerada aceitável;
  • asterisco (*): expressão considerada agramatical no sentido relevante;
  • ponto de interrogação (?): aceitabilidade duvidosa ou marginal;
  • sustenido (#): inadequação semântica ou pragmática, apesar de possível estrutura gramatical.

Esses símbolos não representam medições universais. Correspondem a análises que precisam especificar variedade, contexto e interpretação.

Introspecção[editar]

O linguista pode utilizar sua própria competência como fonte inicial de dados. A introspecção permite formular hipóteses rapidamente, mas não deve ser confundida com prova suficiente.

Há riscos de influência teórica, variação individual, prescrição escolar e falta de contexto. Por isso, pesquisas contemporâneas recorrem a grupos de participantes, escalas graduais, randomização e análise estatística.

Contrastes mínimos[editar]

O método dos contrastes mínimos compara sentenças que diferem em um número restrito de propriedades:

A professora disse que os alunos chegaram.

  • A professora perguntou que os alunos chegaram.

A comparação ajuda a localizar a origem de uma restrição, embora a análise precise excluir explicações lexicais, semânticas ou discursivas alternativas.

Evidência negativa construída[editar]

Sentenças agramaticais são construídas pelo pesquisador para testar os limites do sistema. Elas não aparecem normalmente em corpora justamente porque são evitadas.

Esse método foi uma inovação importante em relação a programas concentrados apenas em ocorrências registradas. Contudo, a ausência em corpus e o julgamento negativo são tipos diferentes de evidência e precisam ser combinados cuidadosamente.

Corpora[editar]

O gerativismo não exclui o uso de corpora. Corpora permitem investigar frequência, variação, mudança, distribuição lexical e construções espontâneas.

O desacordo histórico refere-se à suficiência do corpus como definição da língua. Para os gerativistas, um corpus é evidência produzida por um sistema, não o próprio sistema.

Experimentos[editar]

Psicolinguística e sintaxe experimental utilizam:

  • escalas de aceitabilidade;
  • leitura automonitorada;
  • rastreamento ocular;
  • potenciais elétricos cerebrais;
  • tarefas de decisão;
  • produção induzida;
  • priming sintático;
  • estudos de aquisição.

Os experimentos podem testar consequências de análises gramaticais, mas a relação entre medidas de processamento e representação linguística nem sempre é direta.

Comparação entre línguas[editar]

A comparação tipológica tornou-se central especialmente a partir de Princípios e Parâmetros. Diferenças superficiais podem revelar opções estruturais e propriedades comuns.

A pesquisa gerativa trabalha tanto com línguas amplamente descritas quanto com línguas indígenas, de sinais, crioulas e tipologicamente diversas. Críticas apontam, entretanto, persistente concentração em um conjunto limitado de línguas e categorias.

Evolução histórica da teoria[editar]

As fases do gerativismo não constituem teorias totalmente independentes. Cada etapa preserva problemas anteriores, abandona mecanismos e introduz novas formas de representação.

A periodização varia entre historiadores e linguistas. As datas indicam tendências, não fronteiras absolutas.

Gramática transformacional inicial[editar]

The Logical Structure of Linguistic Theory[editar]

Entre 1951 e 1955, Chomsky elaborou The Logical Structure of Linguistic Theory, texto extenso que circulou antes de sua publicação parcial.

A obra examinava a forma das gramáticas, os critérios de avaliação e os procedimentos necessários para construir descrições formais. Seu objetivo era desenvolver uma teoria capaz de comparar gramáticas e selecionar aquelas que captassem generalizações de maneira mais simples.

A preocupação com transformação, níveis de representação e formalização já estava presente.

Syntactic Structures[editar]

Publicado em 1957, Syntactic Structures apresentou de maneira concisa uma teoria transformacional.

O livro comparou três tipos gerais de mecanismo:

  • modelos de estados finitos;
  • gramáticas de estrutura sintagmática;
  • gramáticas transformacionais.

Chomsky argumentou que modelos de estados finitos não representavam adequadamente dependências estruturais das línguas naturais. Gramáticas sintagmáticas captavam constituintes, mas transformações seriam necessárias para relacionar diferentes tipos de sentença.

Regras sintagmáticas[editar]

Regras de estrutura sintagmática expandiam categorias:

O → SN SV

SV → V SN

Essas regras construíam estruturas básicas. A notação varia, mas a ideia central é que uma categoria se desenvolve em constituintes organizados.

Transformações[editar]

Transformações operavam sobre estruturas produzidas pelo componente sintagmático. Podiam relacionar declarativas, interrogativas, negativas e passivas.

As transformações desse período não devem ser automaticamente identificadas com o movimento de constituintes das teorias posteriores. Algumas envolviam combinações, inserções, apagamentos e reorganizações extensas.

Sentenças nucleares[editar]

O modelo inicial distinguia sentenças nucleares, produzidas por regras obrigatórias simples, de sentenças derivadas por transformações opcionais.

A noção de núcleo foi posteriormente abandonada. Ela não deve ser tratada como componente permanente da linguística gerativa.

Sintaxe e semântica[editar]

Syntactic Structures enfatizava a autonomia da sintaxe e não apresentava uma teoria semântica desenvolvida.

A afirmação de que a sintaxe é independente do significado não significava que frases não tenham interpretação, mas que a estrutura gramatical não pode ser definida simplesmente pela plausibilidade semântica.

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Teoria Padrão[editar]

A Teoria Padrão é associada principalmente a Aspects of the Theory of Syntax, publicado em 1965.

Arquitetura geral[editar]

A gramática possuía três componentes:

  • sintático;
  • semântico;
  • fonológico.

O componente sintático gerava estruturas e ocupava posição central. O componente semântico interpretava determinadas representações; o componente fonológico atribuía forma sonora.

Base[editar]

A base incluía regras de estrutura sintagmática e léxico. Ela gerava estruturas subjacentes que recebiam inserção lexical.

A relação entre estrutura categorial, propriedades lexicais e transformações tornou-se mais explícita do que no modelo de 1957.

Estrutura profunda[editar]

A estrutura profunda representava relações sintáticas relevantes à interpretação semântica e servia de entrada para transformações.

É incorreto defini-la simplesmente como “sentido mental” ou “configuração conceitual”. Tratava-se de um nível sintático formal.

Também não se deve supor que toda ambiguidade superficial correspondia necessariamente a duas estruturas profundas ou que frases aproximadamente sinônimas possuíam a mesma estrutura profunda.

Estrutura superficial[editar]

A estrutura superficial era o resultado da aplicação de transformações. Fornecia informação relevante ao componente fonológico.

O termo “superficial” não significava irrelevante ou meramente aparente. A estrutura superficial também continha organização hierárquica.

Competência e desempenho[editar]

A distinção entre competência e desempenho foi apresentada de maneira sistemática em Aspects. A teoria gramatical concentrava-se inicialmente em um falante-ouvinte ideal de uma comunidade homogênea.

Essa idealização permitia isolar propriedades gramaticais, mas recebeu críticas de sociolinguistas e pesquisadores da interação.

Falante-ouvinte ideal[editar]

O falante-ouvinte ideal não era apresentado como descrição sociológica de uma pessoa real, mas como abstração metodológica.

Ainda assim, a escolha da homogeneidade como ponto de partida pode ocultar o fato de que todo falante domina repertórios variáveis e participa de comunidades heterogêneas.

Aquisição[editar]

A Teoria Padrão ampliou a importância da aquisição. Uma teoria da Gramática Universal deveria definir o espaço de gramáticas possíveis e explicar como os dados conduzem a criança a uma gramática particular.

Teoria Padrão Estendida[editar]

Durante o final da década de 1960 e a década de 1970, a Teoria Padrão foi modificada. Essas mudanças são agrupadas sob a denominação Teoria Padrão Estendida, embora não correspondam a um único modelo estável.

Interpretação semântica[editar]

A hipótese de que toda interpretação semântica relevante fosse determinada apenas na estrutura profunda encontrou dificuldades.

Propriedades como escopo, foco, pressuposição e anáfora dependiam também de estruturas transformadas. A Teoria Padrão Estendida permitiu que a estrutura superficial contribuísse para a interpretação.

Teoria-X-barra[editar]

A Teoria-X-barra procurou generalizar a estrutura interna dos sintagmas. Em vez de regras independentes para cada categoria, propunha esquemas comuns a nomes, verbos, adjetivos e preposições.

Um núcleo X projeta níveis estruturais, combina-se com complementos e pode relacionar-se a especificadores e adjuntos.

A teoria passou por diferentes formulações. Sua importância está na tentativa de reduzir regras particulares e capturar propriedades gerais das categorias.

Restrições às transformações[editar]

As transformações iniciais eram poderosas e variadas. Pesquisas posteriores buscaram restringi-las por condições gerais.

Entre os temas investigados estavam:

  • ilhas sintáticas;
  • subjacência;
  • condições sobre extração;
  • preservação estrutural;
  • ciclos transformacionais.

A mudança preparou a substituição de muitas regras específicas por uma operação geral de movimento submetida a princípios.

Semântica interpretativa e semântica gerativa[editar]

Durante as décadas de 1960 e 1970, ocorreu uma controvérsia entre a semântica interpretativa, associada a Chomsky e colaboradores, e a semântica gerativa, desenvolvida por autores como George Lakoff, James McCawley, Paul Postal e John Robert Ross.

Os semanticistas gerativos propunham representações subjacentes próximas a estruturas lógico-semânticas e derivações sintáticas mais extensas.

O debate envolvia a relação entre sintaxe e significado, o poder das transformações e o estatuto das estruturas profundas. Parte dos pesquisadores da semântica gerativa contribuiu posteriormente para a linguística cognitiva e outras abordagens.

Teoria de Regência e Ligação[editar]

A Teoria de Regência e Ligação, conhecida internacionalmente pela sigla GB, de Government and Binding, consolidou-se no início da década de 1980, especialmente com Lectures on Government and Binding, de 1981.

O modelo substituiu grandes conjuntos de regras de construção por princípios e módulos inter-relacionados.

Modelo modular[editar]

A gramática incluía subsistemas como:

  • Teoria-X-barra;
  • teoria temática;
  • teoria do Caso;
  • teoria da ligação;
  • teoria da regência;
  • teoria do controle;
  • teoria dos limites;
  • teoria do movimento.

Cada módulo impunha restrições próprias. Uma sentença seria gramatical quando satisfizesse simultaneamente essas condições.

Estrutura-D e Estrutura-S[editar]

Os termos estrutura profunda e estrutura superficial foram substituídos ou reinterpretados como Estrutura-D e Estrutura-S.

A Estrutura-D representava relações de base e atribuição temática. A Estrutura-S resultava do movimento e alimentava componentes posteriores.

Apesar da semelhança terminológica, não é inteiramente correto identificar Estrutura-D com a estrutura profunda da Teoria Padrão ou Estrutura-S com uma simples sequência pronunciada.

Forma Fonética e Forma Lógica[editar]

A arquitetura incluía dois níveis de interface:

  • Forma Fonética — PF, de Phonetic Form;
  • Forma Lógica — LF, de Logical Form.

PF representava propriedades relevantes à pronúncia. LF representava propriedades relevantes à interpretação.

Algumas operações podiam ocorrer de maneira encoberta entre Estrutura-S e LF, explicando diferenças de escopo não acompanhadas por movimento audível.

Teoria temática[editar]

A teoria temática investigava a relação entre predicados e participantes. Verbos e outros núcleos atribuem papéis como agente, tema, experienciador ou alvo.

O Critério-Theta estabelecia, em formulações clássicas, uma correspondência entre argumentos e papéis temáticos.

Os papéis temáticos são instrumentos de análise e não categorias universalmente definidas de modo consensual. Teorias posteriores substituíram listas por estruturas de evento, relações configuracionais ou propriedades lexicais mais abstratas.

Teoria do Caso[editar]

A teoria do Caso distinguia caso morfológico e Caso abstrato. Mesmo grupos nominais sem marca visível precisariam receber licenciamento estrutural.

A distribuição de sujeitos, objetos e elementos foneticamente nulos era relacionada à atribuição de Caso.

Teoria da ligação[editar]

A teoria da ligação procurava explicar a distribuição de anáforas, pronomes e expressões referenciais.

Em sua formulação clássica:

  • anáforas precisam estar ligadas em determinado domínio;
  • pronomes precisam estar livres nesse domínio;
  • expressões referenciais precisam estar livres.

Os domínios e a definição de ligação foram reformulados em trabalhos posteriores.

PRO e controle[editar]

A categoria vazia PRO era postulada como sujeito não pronunciado de determinadas orações infinitivas:

Maria tentou [PRO sair].

A interpretação de PRO é controlada por um argumento da oração superior ou determinada genericamente.

Vestígios[editar]

O movimento deixava um vestígio na posição de origem. A cadeia formada pelo elemento movido e seu vestígio permitia representar relações entre posição pronunciada e posição interpretativa.

No Minimalismo, vestígios foram frequentemente reinterpretados como cópias não pronunciadas.

Mova α[editar]

Em vez de numerosas transformações específicas, o sistema utilizava uma regra geral: Mova α, aproximadamente “mova qualquer categoria”.

A liberdade aparente era restringida por princípios independentes de Caso, ligação, localidade e preservação estrutural.

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Princípios e Parâmetros[editar]

A expressão Princípios e Parâmetros designa uma concepção de Gramática Universal segundo a qual as línguas compartilham princípios gerais e diferem em opções limitadas.

A Teoria de Regência e Ligação é frequentemente tratada como uma realização da abordagem de Princípios e Parâmetros, mas os termos não são estritamente equivalentes.

Princípios[editar]

Princípios seriam condições gerais válidas para as línguas humanas, como restrições sobre estrutura, ligação, Caso e movimento.

Em vez de aprender regras inteiramente independentes para cada língua, a criança partiria de uma arquitetura comum.

Parâmetros[editar]

Parâmetros representariam pontos de variação. A experiência linguística permitiria estabelecer seus valores.

O parâmetro do sujeito nulo foi associado à possibilidade de línguas como português, italiano e espanhol omitirem pronomes sujeitos em determinados contextos:

Cheguei cedo.

O inglês geralmente exige pronome expresso:

I arrived early.

Propostas iniciais relacionavam o parâmetro a um conjunto de propriedades. A variação real mostrou-se mais complexa, especialmente quando se comparam diferentes variedades e tipos de sujeito nulo.

Parâmetro do núcleo[editar]

O parâmetro da direção do núcleo procurava explicar por que algumas línguas colocam núcleos antes de complementos e outras favorecem a ordem inversa.

A variação dentro de uma mesma língua e entre categorias enfraqueceu versões muito gerais do parâmetro. Teorias posteriores localizaram diferenças em propriedades lexicais e funcionais mais específicas.

Aquisição por fixação[editar]

A metáfora do painel de interruptores tornou-se popular: a Gramática Universal forneceria parâmetros e a experiência estabeleceria seus valores.

Essa imagem tem valor didático, mas simplifica o desenvolvimento. A criança precisa identificar pistas, lidar com ambiguidade e construir léxico e morfologia. Parâmetros podem interagir, e os dados nem sempre determinam imediatamente uma opção.

Microparâmetros[editar]

A pesquisa passou de macroparâmetros, que afetariam grandes conjuntos de propriedades, para microparâmetros localizados em classes reduzidas de itens ou traços.

Essa mudança aproximou a teoria paramétrica do estudo detalhado da variação entre línguas próximas, dialetos e etapas históricas.

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Programa Minimalista[editar]

O Programa Minimalista foi apresentado por Chomsky no início da década de 1990 e sistematizado no livro The Minimalist Program, de 1995.

O termo programa indica que não se trata de uma teoria concluída, mas de uma orientação de pesquisa. Seu objetivo é perguntar quanto da arquitetura gramatical é realmente necessário e por que a faculdade da linguagem possui as propriedades observadas.

Motivação minimalista[editar]

As teorias anteriores haviam acumulado níveis, módulos, índices, filtros e condições. O Minimalismo procura eliminar mecanismos que não sejam exigidos pelas interfaces ou por necessidades conceituais.

A questão deixa de ser apenas “quais regras descrevem as línguas?” e passa a incluir “por que a linguagem apresenta esse desenho?”.

Condições de interface[editar]

Uma expressão linguística precisa relacionar-se a sistemas externos.

Na interface sensório-motora, a estrutura é externalizada por fala, sinais ou escrita.

Na interface conceitual-intencional, a expressão é interpretada e relacionada a pensamento, inferência e intenção.

O sistema computacional deve produzir objetos legíveis por essas interfaces.

Níveis mantidos e eliminados[editar]

O Minimalismo eliminou Estrutura-D e Estrutura-S como níveis obrigatórios. PF e LF deixaram de ser necessariamente níveis construídos do mesmo modo que na teoria anterior e passaram a representar lados ou interfaces da derivação.

A eliminação de estrutura profunda é importante: não se deve apresentar o gerativismo contemporâneo como teoria que sempre deriva uma estrutura superficial de uma estrutura profunda.

Merge[editar]

Merge é a operação central de construção estrutural. Ela combina dois objetos sintáticos e forma uma nova unidade.

De maneira abstrata:

Merge(α, β) = {α, β}

A operação pode combinar itens lexicais ou estruturas anteriormente formadas.

Por aplicações sucessivas, constrói-se uma organização hierárquica. A ordem linear não precisa ser determinada imediatamente; pode surgir no processo de externalização.

Merge externo e interno[editar]

Merge externo combina objetos que ainda não pertencem à mesma estrutura.

Merge interno combina uma estrutura com um elemento contido nela, produzindo o efeito tradicionalmente chamado movimento.

Uma interrogativa pode conter uma cópia de um constituinte em posição superior e outra em sua posição interpretativa original. Normalmente apenas uma cópia é pronunciada.

A unificação de construção e movimento como variantes de Merge busca reduzir a variedade de operações primitivas.

Cópias[editar]

A teoria de cópias substituiu a ideia de vestígio vazio. O elemento movido é representado em mais de uma posição estrutural, embora apenas uma ocorrência seja normalmente externalizada.

A existência de cópias ajuda a explicar casos em que propriedades de uma posição inferior afetam a interpretação.

Agree[editar]

Agree é uma relação entre uma sonda portadora de traços não valorados e um alvo capaz de fornecer valores.

A operação é utilizada para analisar concordância, Caso e outras dependências. Sua formulação mudou ao longo do desenvolvimento minimalista.

Nem todas as abordagens minimalistas atribuem a Agree o mesmo estatuto, e há teorias que derivam concordância de relações de estrutura ou de mecanismos diferentes.

Traços formais[editar]

Itens lexicais entram na derivação com traços:

  • categoriais;
  • semânticos;
  • fonológicos;
  • de pessoa, número e gênero;
  • de Caso;
  • relacionados a movimento ou concordância.

A distinção entre traços interpretáveis e não interpretáveis foi utilizada para explicar por que determinados elementos precisam estabelecer relações antes de alcançar as interfaces.

Numeração e seleção lexical[editar]

Versões iniciais do Minimalismo utilizavam uma numeração: conjunto de itens escolhidos do léxico para uma derivação.

Desenvolvimentos posteriores reformularam o modo como itens são selecionados, organizados em espaços de trabalho e combinados.

Spell-Out[editar]

Spell-Out envia parte da estrutura para a interface fonológica. Em teorias de fases, domínios são transferidos ciclicamente.

Depois da transferência, certas partes podem tornar-se inacessíveis a operações posteriores, produzindo efeitos de localidade.

Fases[editar]

Fases são domínios estruturais relativamente completos, frequentemente associados a CP e a determinadas projeções verbais.

A Condição de Impenetrabilidade de Fase restringe o acesso ao interior de uma fase depois de sua transferência. Elementos que precisam continuar participando da derivação deslocam-se para sua periferia.

A definição das fases e de seus limites varia entre autores.

Economia[editar]

O Minimalismo investigou princípios de economia, como:

  • derivações mais curtas;
  • movimento apenas quando necessário;
  • aplicação local de operações;
  • ausência de símbolos supérfluos;
  • redução de níveis de representação.

Algumas condições de economia foram posteriormente abandonadas ou reformuladas. “Minimalista” não significa simplesmente que a frase mais curta seja preferível, mas que a teoria procura minimizar mecanismos específicos e derivar propriedades de princípios gerais.

Inclusividade[editar]

A Condição de Inclusividade determina que a derivação não introduza objetos arbitrários ausentes dos itens iniciais, exceto estruturas produzidas pelas operações permitidas.

Essa condição contribuiu para eliminar índices e símbolos acrescentados apenas para controlar regras.

Movimento por último recurso[editar]

O movimento foi tratado como operação que ocorre apenas quando necessário para satisfazer condições formais.

Versões posteriores discutem se traços específicos desencadeiam movimento, se a externalização determina sua posição ou se determinadas operações são livres e filtradas pelas interfaces.

Estrutura sintagmática nua[editar]

A estrutura sintagmática nua procura eliminar níveis e rótulos estipulados da Teoria-X-barra. As categorias de uma estrutura derivariam dos próprios itens combinados.

O problema de como uma estrutura recebe rótulo tornou-se importante. Propostas posteriores atribuem o rótulo a procedimentos de busca ou a propriedades compartilhadas pelos elementos combinados.

Linearização[editar]

Merge produz hierarquia, não necessariamente ordem. A linearização relaciona a estrutura hierárquica a uma sequência pronunciável ou sinalizada.

Essa separação sustenta a hipótese de que a linguagem é fundamentalmente um sistema de construção hierárquica e que a ordem linear pertence principalmente à externalização.

A proposta é debatida por teorias que atribuem papel mais central à sequência, ao processamento e à experiência.

Minimalismo forte[editar]

A Tese Minimalista Forte propõe, em formulações gerais, que a linguagem seja uma solução ótima ou próxima do ótimo para condições impostas pelas interfaces.

Trata-se de hipótese orientadora, não de conclusão demonstrada. O significado de “ótimo” depende das métricas e das propriedades consideradas.

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Biolinguística[editar]

A biolinguística investiga a linguagem como propriedade biológica humana. Embora o termo tenha história anterior, ganhou nova centralidade com o Programa Minimalista e os debates sobre evolução.

A abordagem procura articular:

  • estrutura formal;
  • desenvolvimento;
  • genética;
  • neurobiologia;
  • evolução;
  • comparação entre espécies;
  • princípios gerais de organização.

Os três fatores[editar]

Chomsky propôs distinguir três fatores no desenvolvimento da linguagem:

  1. dotação genética;
  1. experiência;
  1. princípios não específicos da linguagem.

O primeiro inclui propriedades biológicas que tornam a aquisição possível. O segundo determina qual língua se desenvolve. O terceiro inclui eficiência computacional, restrições de desenvolvimento e leis gerais de organização.

O Minimalismo procura reduzir a carga atribuída ao primeiro fator especificamente linguístico e ampliar o papel explicativo do terceiro.

Faculdade ampla e restrita[editar]

Em um artigo de 2002, Marc Hauser, Noam Chomsky e W. Tecumseh Fitch distinguiram faculdade da linguagem em sentido amplo e restrito.

A faculdade ampla inclui mecanismos perceptivos, motores e conceituais relacionados à linguagem, muitos dos quais podem ter antecedentes em outras espécies.

A faculdade restrita corresponderia ao componente computacional central. Os autores discutiram a hipótese de que a recursividade fosse sua propriedade especificamente humana.

A interpretação dessa proposta gerou controvérsias. Trabalhos posteriores esclareceram que a identificação entre recursividade, Merge e exclusividade humana envolve diferentes hipóteses, que precisam ser testadas separadamente.

Evolução da linguagem[editar]

O gerativismo tradicional foi por vezes acusado de desinteresse pela evolução. A biolinguística contemporânea discute como uma capacidade computacional poderia ter surgido e integrado sistemas mais antigos.

Alguns autores propõem uma inovação evolutiva relativamente recente, talvez relacionada a Merge. Outros defendem evolução gradual por mudanças em cognição, comunicação, controle motor e cultura.

Há pouco consenso sobre datas, mecanismos genéticos ou etapas. Evidências fósseis não registram diretamente gramáticas, e comparações com outras espécies precisam distinguir percepção de sequências, comunicação, aprendizagem vocal e construção hierárquica.

Linguagem e pensamento[editar]

Formulações minimalistas recentes atribuem ao sistema computacional papel central na organização do pensamento. A externalização sonora ou gestual seria secundária em relação à combinação de conceitos.

Essa hipótese contrasta com teorias que tratam comunicação e interação como forças centrais na origem e na estrutura das línguas.

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Fonologia gerativa[editar]

A fonologia gerativa foi estabelecida especialmente por Morris Halle e Noam Chomsky.

Em The Sound Pattern of English, de 1968, a representação fonológica era composta por traços distintivos, e regras transformavam formas subjacentes em representações fonéticas.

Representações subjacentes[editar]

Uma mesma unidade morfológica pode apresentar pronúncias diferentes em contextos distintos. A fonologia gerativa procura representar uma forma subjacente comum e derivar as variantes por regras.

Traços distintivos[editar]

Os segmentos são analisados como conjuntos de traços, como voz, nasalidade, continuidade e posição articulatória.

A teoria dos traços possuía antecedentes na Escola de Praga e em trabalhos de Jakobson, Fant e Halle, mas foi integrada a um sistema gerativo de regras.

Regras ordenadas[editar]

As regras fonológicas aplicavam-se em determinada ordem. Alterar a ordem podia produzir resultados diferentes.

A ordenação permitia representar interações entre processos, mas também gerava debates sobre abstração e poder descritivo.

Desenvolvimentos posteriores[editar]

A fonologia gerativa originou ou influenciou:

  • fonologia natural;
  • fonologia autossegmental;
  • fonologia métrica;
  • fonologia lexical;
  • geometria de traços;
  • teoria da subespecificação;
  • Teoria da Otimidade.

Nem todas essas correntes permanecem vinculadas ao gerativismo chomskiano da sintaxe, embora compartilhem representações formais e interesse por competência fonológica.

Morfologia gerativa[editar]

A relação entre morfologia e sintaxe variou ao longo da tradição.

A Hipótese Lexicalista procurou impedir que transformações sintáticas operassem livremente dentro das palavras. Processos de derivação e composição seriam regulados pelo léxico ou por componente morfológico próprio.

Outras abordagens, como a Morfologia Distribuída, propõem que estruturas de palavras são construídas por mecanismos sintáticos e recebem material fonológico posteriormente.

A expressão morfologia distribuída não deve ser confundida com distribucionalismo. Trata-se de modelo desenvolvido a partir da década de 1990 no qual raízes, traços funcionais e inserção vocabular participam de uma arquitetura derivacional.

Semântica e Forma Lógica[editar]

O gerativismo inicial enfatizava a sintaxe, mas a integração com a semântica tornou-se progressivamente central.

A semântica formal, desenvolvida por Richard Montague e outros autores, mostrou como expressões sintáticas podem receber interpretações composicionais.

Na tradição gerativa, a Forma Lógica representa propriedades como:

  • escopo de quantificadores;
  • ligação;
  • interpretação de pronomes;
  • relações entre operadores e variáveis;
  • elipse;
  • foco.

A existência de um nível autônomo denominado LF e a natureza das operações interpretativas mudaram no Minimalismo. Algumas análises tratam LF como interface, outras derivam interpretações diretamente ao longo da construção.

Principais autores e correntes internas[editar]

Embora Chomsky seja a figura central, o gerativismo foi desenvolvido por uma comunidade extensa.

Morris Halle[editar]

Morris Halle teve papel decisivo na fonologia gerativa, na teoria dos traços e na formação do departamento de linguística do MIT.

Sua colaboração com Chomsky em The Sound Pattern of English influenciou várias gerações de fonólogos.

Robert Lees[editar]

Robert Lees contribuiu para a divulgação inicial de Syntactic Structures e para a aplicação da gramática transformacional à nominalização e à morfologia.

Jerrold Katz e Jerry Fodor[editar]

Katz e Fodor desenvolveram uma teoria semântica destinada a integrar o significado à arquitetura gerativa.

Suas propostas foram posteriormente criticadas e reformuladas, mas ajudaram a estabelecer a semântica como componente explícito.

Paul Postal[editar]

Postal participou do desenvolvimento inicial da teoria transformacional e posteriormente se aproximou da semântica gerativa e de modelos alternativos.

George Lakoff[editar]

Lakoff foi importante na semântica gerativa. Posteriormente, tornou-se um dos principais representantes da linguística cognitiva, crítica ao modularismo e ao formalismo gerativista.

John Robert Ross[editar]

Ross identificou numerosas restrições sobre movimento e introduziu o estudo sistemático das ilhas sintáticas.

Ray Jackendoff[editar]

Jackendoff contribuiu para a Teoria Padrão Estendida, a semântica conceitual e modelos de arquitetura paralela. Embora mantenha vínculos com questões gerativas, critica a centralidade exclusiva da sintaxe.

Joseph Emonds[editar]

Emonds investigou restrições sobre transformações, preservação estrutural e diferenças entre operações principais e locais.

Jean-Roger Vergnaud[editar]

Vergnaud foi fundamental para a teoria do Caso abstrato e para o desenvolvimento de Regência e Ligação.

Howard Lasnik[editar]

Lasnik contribuiu para a teoria da ligação, movimento, elipse, minimalismo e historiografia técnica da gramática gerativa.

Luigi Rizzi[editar]

Rizzi desenvolveu estudos sobre localidade, sujeitos nulos, sintaxe comparativa e cartografia da periferia esquerda da oração.

Richard Kayne[editar]

Kayne contribuiu para a sintaxe comparativa, movimento, estrutura antissimétrica e teoria da linearização.

Guglielmo Cinque[editar]

Cinque desenvolveu a cartografia sintática de advérbios e projeções funcionais, propondo hierarquias universais detalhadas.

Mark Baker[editar]

Baker investigou incorporação, polissemia estrutural, parâmetros e tipologia sintática.

David Pesetsky[editar]

Pesetsky contribuiu para seleção, movimento interrogativo, Caso, estrutura argumental e interfaces.

Norbert Hornstein[editar]

Hornstein trabalhou com controle, movimento, Minimalismo e interpretação da teoria gerativa.

Cedric Boeckx[editar]

Boeckx desenvolveu trabalhos sobre sintaxe minimalista, biolinguística e evolução.

Andrea Moro[editar]

Moro investiga sintaxe, simetria, movimento e relações entre gramática e neurociência.

Charles Yang[editar]

Yang propôs modelos de aquisição que combinam restrições gramaticais e aprendizagem probabilística.

Nina Hyams[editar]

Hyams contribuiu para aquisição gerativa, especialmente no estudo de sujeitos nulos e parâmetros.

Maria Luisa Zubizarreta[editar]

Zubizarreta desenvolveu pesquisas sobre estrutura informacional, prosódia, sintaxe comparativa e espanhol.

Esther Torrego[editar]

Torrego contribuiu para a análise de interrogativas, Caso, concordância e sintaxe das línguas românicas.

A lista não é exaustiva. A tradição inclui diferentes escolas, como sintaxe cartográfica, Minimalismo derivacional, nanosintaxe, Morfologia Distribuída e abordagens paramétricas.

Gerativismo e psicolinguística[editar]

A teoria gramatical e a psicolinguística possuem objetos relacionados, mas não idênticos.

A gramática descreve o conhecimento estrutural. A psicolinguística investiga como esse conhecimento é utilizado em tempo real.

Competência e processamento[editar]

Uma derivação gramatical não é necessariamente modelo de processamento. O fato de uma análise representar movimento de um constituinte não implica que o cérebro primeiro construa uma frase completa e depois a transforme conscientemente.

Modelos de processamento podem utilizar incrementalmente informações sintáticas, semânticas e probabilísticas.

Parsing[editar]

O parsing é a construção de uma análise durante a compreensão. O ouvinte precisa segmentar, identificar constituintes e resolver ambiguidades.

Teorias psicolinguísticas investigam se o processamento privilegia estruturas mais simples, quais informações são utilizadas inicialmente e como revisões ocorrem.

Efeitos de ilha[editar]

Restrições gramaticais sobre extração podem produzir efeitos em tarefas de processamento. Pesquisas procuram distinguir impossibilidade gramatical de dificuldade, frequência ou plausibilidade.

Priming sintático[editar]

O priming ocorre quando o uso ou compreensão de uma estrutura aumenta a probabilidade de reutilização de estrutura semelhante.

O fenômeno é empregado para investigar representação, aprendizagem e relações entre construções. Sua interpretação não favorece automaticamente uma teoria única.

Aquisição experimental[editar]

Experimentos com crianças testam compreensão de pronomes, passivas, perguntas, quantificadores e sujeitos nulos.

Resultados precisam considerar desenvolvimento lexical, memória, pragmática e desenho das tarefas.

Gerativismo e neurolinguística[editar]

A neurolinguística investiga a relação entre linguagem e cérebro.

O gerativismo contribui ao formular hipóteses precisas sobre estruturas e dependências. A neurociência pode investigar como essas propriedades se relacionam a redes e processos neurais.

Localização e redes[editar]

Modelos antigos associavam linguagem principalmente às áreas de Broca e Wernicke. Pesquisas contemporâneas descrevem redes distribuídas e conexões entre regiões frontais, temporais e parietais.

Não existe correspondência simples entre um princípio gramatical e um ponto isolado do cérebro.

Afasia[editar]

Afasias fornecem evidências sobre dissociações entre produção, compreensão, léxico, morfologia e sintaxe.

Análises gerativas foram aplicadas a dificuldades com movimento, flexão, ligação e estruturas funcionais. A interpretação dos dados precisa distinguir perda de representação de limitações de processamento.

Neuroimagem[editar]

Ressonância magnética funcional, eletroencefalografia e magnetoencefalografia investigam respostas a violações, dependências e complexidade.

Marcadores neurais não constituem tradução direta de categorias gramaticais. Resultados dependem de tarefa, estímulo, comparação e modelo estatístico.

Merge no cérebro[editar]

Alguns estudos procuram identificar correlatos de combinação hierárquica e de Merge. Até o momento, não há consenso sobre uma assinatura neural exclusiva ou uma região que realize isoladamente a operação.

A formulação de pontes entre níveis formal e neural permanece desafio da biolinguística.

Línguas de sinais[editar]

O estudo das línguas de sinais teve grande importância para o gerativismo e para a linguística geral.

Línguas de sinais apresentam estrutura fonológica, morfológica e sintática e são adquiridas naturalmente por crianças expostas a elas.

Isso demonstra que a faculdade da linguagem não é especificamente oral-auditiva. A externalização pode utilizar modalidade visual-gestual.

Pesquisas gerativas analisam concordância espacial, classificadores, movimento interrogativo, referenciação e ordem nas línguas de sinais.

As diferenças de modalidade também desafiam teorias formuladas inicialmente com base apenas na fala e contribuem para distinguir propriedades centrais do sistema computacional de propriedades da externalização.

Variação e mudança[editar]

Embora versões iniciais trabalhassem com comunidades idealizadas, a variação tornou-se importante na abordagem paramétrica e na sintaxe comparativa.

Variação entre línguas[editar]

Diferenças de ordem, sujeito nulo, movimento, concordância e expressão do Caso são analisadas como consequências de propriedades formais.

Variação dialetal[editar]

Dialetos podem diferir em aspectos sintáticos sistemáticos. A microvariação compara variedades próximas para identificar diferenças mínimas.

Mudança sintática[editar]

A mudança pode ser interpretada como alteração na gramática adquirida por novas gerações. Reanálises ocorrem quando dados ambíguos permitem uma nova representação.

Modelos paramétricos relacionam mudança à aquisição, mas precisam incorporar frequência, contato, competição de formas e dinâmica social.

Sociolinguística paramétrica[editar]

Alguns pesquisadores procuram combinar variação probabilística e gramáticas internas, distinguindo coexistência de sistemas, opções variáveis e condicionamentos sociais.

A integração entre gerativismo e sociolinguística permanece campo de investigação, especialmente no Brasil.

Críticas ao gerativismo[editar]

As críticas são diversas e não devem ser tratadas como uma única oposição.

Críticas do funcionalismo[editar]

O funcionalismo linguístico argumenta que a estrutura gramatical deve ser relacionada às funções comunicativas, ao discurso e ao uso.

Funcionalistas criticam a autonomia forte da sintaxe e a idealização de sentenças isoladas. Ordem, apagamento, referenciação e estrutura informacional seriam moldados por necessidades comunicativas.

Gerativistas respondem que explicações funcionais precisam especificar mecanismos capazes de produzir as restrições precisas observadas e que função comunicativa não elimina representações estruturais.

Muitos trabalhos atuais combinam generalizações formais com propriedades de discurso e interfaces.

Críticas da linguística cognitiva[editar]

A linguística cognitiva rejeita uma separação rígida entre linguagem e cognição geral. Gramática e léxico formariam um contínuo de unidades simbólicas.

Categorias seriam graduais, baseadas em protótipos, esquemas e processos de conceptualização.

Autores cognitivistas criticam categorias abstratas sem conteúdo semântico e a prioridade da sintaxe.

Gerativistas argumentam que generalizações estruturais e restrições de dependência não podem ser explicadas apenas por semelhança conceptual.

Críticas das abordagens baseadas no uso[editar]

A linguística baseada no uso enfatiza frequência, analogia, construções e aprendizagem a partir da experiência.

Crianças aprenderiam padrões de diferentes graus de abstração, começando por expressões e construções particulares.

Estudos mostram sensibilidade infantil a probabilidades distribucionais e efeitos duradouros de frequência.

Gerativistas reconhecem que a experiência e a frequência influenciam aquisição e processamento, mas sustentam que esses fatores precisam operar sobre representações e restrições que expliquem generalizações ausentes ou raras.

Críticas conexionistas e emergentistas[editar]

Modelos conexionistas aprendem padrões por redes de unidades e ajustes de pesos, sem regras simbólicas explicitamente codificadas.

Esses modelos reproduziram aspectos de flexão, categorização e previsão sequencial.

Críticos do conexionismo apontam dificuldades com generalização sistemática, produtividade e interpretação das representações internas.

Modelos neurais contemporâneos reacenderam o debate. Seu desempenho demonstra que grandes quantidades de dados permitem aprender regularidades complexas, mas não resolve automaticamente questões sobre aquisição infantil, estrutura hierárquica ou explicação científica.

Críticas da sociolinguística[editar]

A sociolinguística criticou o falante-ouvinte ideal de uma comunidade homogênea. Comunidades reais são heterogêneas, e a variação possui estrutura própria.

A escolha de uma variedade como “a língua” pode refletir normas sociais e apagar repertórios multilíngues.

Gerativistas podem responder que a idealização delimita um componente do conhecimento, assim como outras ciências isolam sistemas. O problema surge quando a abstração é tratada como descrição completa da linguagem.

A sociolinguística gerativa procura integrar gramáticas internas e padrões variáveis.

Críticas da pragmática e da análise do discurso[editar]

Sentenças recebem interpretação em contextos de interação. Inferência, intenção, pressuposição, relevância e conhecimento compartilhado não são determinados inteiramente pela sintaxe.

A gramática gerativa reconhece interfaces e componentes pragmáticos, mas tradicionalmente atribui à sintaxe um objeto autônomo.

Críticos argumentam que algumas distinções gramaticais surgem do discurso e não podem ser compreendidas fora dele.

Críticas tipológicas[editar]

Tipologistas questionam universais formulados a partir de poucas línguas e categorias construídas na tradição europeia.

A diversidade linguística desafia parâmetros simples e análises que pressupõem a universalidade de categorias funcionais específicas.

Gerativistas respondem que universais podem ser abstratos e não corresponder a palavras ou morfemas visíveis. A ausência de marca externa não prova ausência de estrutura.

O debate exige descrições detalhadas, comparação cuidadosa e participação de especialistas em diferentes línguas.

Críticas à pobreza do estímulo[editar]

Críticos sustentam que os dados infantis são mais ricos do que descrições clássicas admitiam. Frequência, prosódia, semântica, contexto e interação fornecem pistas.

Modelos computacionais mostram que determinadas generalizações podem ser aprendidas a partir de corpora.

Gerativistas respondem que o sucesso em uma tarefa depende das representações previamente fornecidas ao modelo e que cada argumento deve ser avaliado em relação ao fenômeno específico.

A questão atual não é simplesmente “inato ou aprendido”, mas que restrições, vieses e mecanismos participam do desenvolvimento.

Críticas à Gramática Universal[editar]

Alguns autores argumentam que universais linguísticos resultam de:

  • cognição geral;
  • limitações de processamento;
  • comunicação;
  • estrutura do corpo;
  • aprendizagem;
  • transmissão cultural;
  • história das línguas.

A diversidade tipológica e a dificuldade de identificar parâmetros simples são usadas contra versões ricas da GU.

O Minimalismo responde, em parte, reduzindo o conteúdo específico atribuído à Gramática Universal. Essa redução, porém, levanta a questão de quanto resta da hipótese original.

Críticas ao Minimalismo[editar]

O Programa Minimalista é criticado por:

  • alto grau de abstração;
  • mudanças frequentes de mecanismos;
  • dificuldade de falsificação;
  • distância entre formalização e evidência;
  • uso metafórico de termos como “ótimo” e “perfeito”;
  • ausência de métricas independentes de simplicidade;
  • concentração em dados selecionados.

Defensores argumentam que programas de pesquisa podem evoluir e que a redução de mecanismos produziu hipóteses testáveis sobre localidade, fases, movimento e interfaces.

Também distinguem o Minimalismo teórico de formalizações matemáticas específicas, como as gramáticas minimalistas.

Críticas historiográficas[editar]

A narrativa de que Chomsky destruiu um behaviorismo estruturalista homogêneo foi revista.

O estruturalismo americano possuía correntes diversas; Harris já trabalhava com transformações; e a psicologia cognitiva tinha múltiplas origens.

A resenha de Skinner teve grande importância simbólica, mas sua influência imediata e sua adequação à teoria behaviorista são discutidas.

A historiografia contemporânea busca compreender o gerativismo como mudança intelectual e institucional, evitando tanto narrativas heroicas quanto reduções sociológicas.

Respostas e desenvolvimentos internos[editar]

O gerativismo modificou-se em resposta a problemas empíricos e críticas.

A Teoria Padrão Estendida ampliou o papel da interpretação superficial. Regência e Ligação substituiu regras específicas por módulos. Princípios e Parâmetros incorporou sistematicamente a variação. O Minimalismo eliminou níveis e reduziu operações. A biolinguística ampliou o diálogo com evolução e desenvolvimento.

Essas mudanças podem ser interpretadas como progresso, instabilidade ou ambas as coisas. Uma teoria científica precisa ser reformulada diante de dificuldades; ao mesmo tempo, mudanças constantes tornam necessário distinguir resultados duradouros de mecanismos transitórios.

Influência na linguística contemporânea[editar]

Mesmo fora da tradição chomskiana, várias ideias gerativistas tornaram-se parte do vocabulário geral da linguística:

  • estrutura hierárquica;
  • constituência;
  • produtividade;
  • dependências de longa distância;
  • distinção entre representação e uso;
  • formalização explícita;
  • importância da aquisição;
  • relação entre linguagem e cognição;
  • necessidade de explicar restrições sobre expressões ausentes.

A gramática gerativa também impulsionou:

  • sintaxe comparativa;
  • semântica formal;
  • psicolinguística experimental;
  • aquisição da linguagem;
  • linguística computacional;
  • estudos de línguas de sinais;
  • neurolinguística;
  • filosofia da linguagem.

Muitos pesquisadores utilizam conceitos gerativos sem aceitar todas as hipóteses sobre Gramática Universal ou Minimalismo.

Gerativismo e ciência da computação[editar]

A hierarquia de gramáticas formais influenciou a teoria dos autômatos, compiladores e processamento de linguagens.

Gramáticas livres de contexto tornaram-se instrumentos fundamentais para análise sintática computacional.

Modelos gerativos de língua natural, contudo, frequentemente exigem mecanismos mais ricos para concordância, dependências e semântica.

As gramáticas minimalistas de Edward Stabler formalizam aspectos de Merge e Move e permitem investigar propriedades computacionais das derivações minimalistas.

A expressão “modelo generativo” na aprendizagem de máquina possui sentido mais amplo: um modelo que representa uma distribuição e pode produzir amostras. Nem todo modelo generativo computacional pertence à linguística gerativa.

Grandes modelos de linguagem e gerativismo[editar]

O desenvolvimento de grandes modelos neurais reacendeu debates sobre aprendizagem, produtividade e representação.

Esses sistemas adquirem regularidades linguísticas a partir de enormes corpora e produzem textos novos. Seu desempenho desafia afirmações simples de que estatística não pode capturar estrutura.

Ao mesmo tempo, diferenças entre modelos e crianças são substanciais:

  • quantidade de dados;
  • modalidade de experiência;
  • interação física e social;
  • objetivos de treinamento;
  • arquitetura;
  • consumo energético;
  • tipo de supervisão;
  • desenvolvimento.

O sucesso de um modelo não demonstra que seres humanos aprendem pelo mesmo mecanismo. Também não prova que suas representações sejam desprovidas de estrutura.

Pesquisas atuais utilizam modelos neurais para testar quais padrões podem ser aprendidos, comparar representações e formular novos argumentos sobre indução.

Gerativismo no Brasil[editar]

O gerativismo teve impacto significativo na linguística brasileira a partir da década de 1960 e consolidou-se em programas universitários durante as décadas seguintes.

Sua recepção ocorreu em diálogo com o estruturalismo, a gramática tradicional, a filologia, a sociolinguística e o funcionalismo.

Primeira recepção[editar]

As obras de Chomsky circularam inicialmente por traduções, cursos e pesquisadores formados no exterior.

A institucionalização da pós-graduação e a criação de associações científicas favoreceram a formação de grupos dedicados à sintaxe, fonologia e aquisição.

Universidades e grupos de pesquisa[editar]

O gerativismo desenvolveu-se em instituições como:

  • Universidade Estadual de Campinas;
  • Universidade de São Paulo;
  • Universidade Federal do Rio de Janeiro;
  • Pontifícia Universidade Católica de São Paulo;
  • Universidade Federal de Minas Gerais;
  • Universidade Federal do Paraná;
  • Universidade de Brasília;
  • Universidade Federal da Bahia;
  • Universidade Federal de Santa Catarina;
  • Universidade Federal de Pernambuco;
  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A lista é apenas indicativa. Grupos gerativistas existem em diferentes regiões do país.

Português brasileiro[editar]

O português brasileiro tornou-se objeto importante para debates sobre:

  • sujeito nulo;
  • ordem de constituintes;
  • concordância;
  • pronomes;
  • clíticos;
  • objeto nulo;
  • tópico;
  • interrogativas;
  • infinitivo flexionado;
  • estrutura argumental;
  • mudança linguística.

A comparação entre português brasileiro e europeu teve papel especial na teoria paramétrica.

Sujeito nulo[editar]

O português brasileiro apresenta mudanças na expressão do sujeito. Pronomes são frequentemente realizados em contextos nos quais o português europeu admite omissão.

Ao mesmo tempo, o português brasileiro permite sujeitos nulos em condições específicas. Essa combinação levou à revisão da classificação simples entre línguas de sujeito nulo e não nulo.

Objeto nulo[editar]

A omissão de objetos em português brasileiro foi analisada por diferentes mecanismos, como variável, pronome nulo, elipse e tópico.

Os dados mostram interação entre animacidade, especificidade, estrutura discursiva e sintaxe.

Clíticos e pronomes[editar]

A distribuição de me, te, se, lhe, o e outras formas difere entre variedades e registros.

A colocação pronominal do português brasileiro falado desafia descrições baseadas exclusivamente na norma escrita.

Aquisição no Brasil[editar]

Pesquisadores brasileiros investigam aquisição de sujeito, objeto, concordância, movimento interrogativo, relativas e interfaces.

Há também trabalhos sobre aquisição atípica, bilinguismo, línguas de sinais e transtornos do desenvolvimento.

Língua Brasileira de Sinais[editar]

A Língua Brasileira de Sinais — Libras — é objeto de análises gerativas sobre ordem, concordância, classificadores, referência, foco e interrogativas.

Essas pesquisas contribuem tanto para a teoria quanto para a descrição e o reconhecimento linguístico da Libras.

Línguas indígenas brasileiras[editar]

A sintaxe gerativa foi aplicada a línguas indígenas brasileiras, especialmente em estudos sobre ordem, Caso, concordância, incorporação, ergatividade, classificadores e estrutura informacional.

O trabalho precisa ser articulado a práticas éticas de documentação e colaboração com comunidades.

Principais pesquisadores[editar]

Entre pesquisadores brasileiros associados, em diferentes momentos e graus, à tradição gerativa encontram-se:

  • Mary Aizawa Kato;
  • Charlotte Galves;
  • Jairo Nunes;
  • Esmeralda Negrão;
  • Maria Cristina Figueiredo Silva;
  • Ana Maria Britto;
  • Maria Aparecida Torres Morais;
  • Sonia Cyrino;
  • Ruth Lopes;
  • Elaine Grolla;
  • Maria Filomena Spatti Sandalo;
  • Luciana Storto;
  • Evani Viotti;
  • Cilene Rodrigues;
  • Marcus Maia;
  • Miriam Lemle;
  • Yonne Leite.

A lista não é exaustiva, e alguns desses pesquisadores desenvolveram trabalhos que dialogam com mais de uma orientação.

Projeto da Gramática do Português Falado[editar]

O estudo do português falado reuniu pesquisadores de diferentes correntes. A participação gerativista contribuiu para análises sintáticas baseadas em dados reais, mostrando que gerativismo e corpus não são incompatíveis.

Gerativismo e sociolinguística no Brasil[editar]

A história do português brasileiro favoreceu o diálogo entre sintaxe gerativa, teoria da mudança e sociolinguística variacionista.

A competição entre gramáticas, a aquisição em situações de contato e a variação parametrizada são temas centrais.

Predefinição:Artigo principal

Fortuna crítica[editar]

Primeira recepção[editar]

Nas décadas de 1950 e 1960, o gerativismo foi recebido como alternativa poderosa à linguística descritiva. Sua capacidade de representar relações entre sentenças e formular hipóteses explícitas sobre sintaxe atraiu numerosos pesquisadores.

O prestígio de Chomsky, a expansão do MIT e a formação de estudantes contribuíram para sua rápida difusão.

As “guerras linguísticas”[editar]

O conflito entre semântica interpretativa e semântica gerativa durante as décadas de 1960 e 1970 ficou conhecido como guerras linguísticas.

O debate envolvia divergências técnicas, disputas institucionais e estilos de argumentação. Muitos participantes afastaram-se do programa chomskiano e contribuíram para novas correntes.

A expressão populariza o conflito, mas pode simplificar a variedade das posições.

Consolidação de Regência e Ligação[editar]

Na década de 1980, Regência e Ligação tornou-se uma das arquiteturas mais influentes da sintaxe.

Sua modularidade e seu vocabulário permitiram comparar línguas e organizar grande quantidade de fenômenos.

Ao mesmo tempo, a complexidade do sistema motivou a busca minimalista por redução.

Recepção do Minimalismo[editar]

O Minimalismo foi recebido tanto como renovação quanto como programa excessivamente abstrato.

A unificação de movimento e construção por Merge e a eliminação de níveis tiveram grande impacto. Contudo, diferentes pesquisadores adotaram versões distintas, e muitos mecanismos permanecem em disputa.

Diversificação[editar]

A linguística contemporânea não possui paradigma único. Gerativismo, funcionalismo, tipologia, linguística cognitiva, abordagens baseadas no uso, sociolinguística e modelos computacionais coexistem.

O gerativismo continua influente, especialmente em sintaxe formal e aquisição, mas não ocupa de maneira uniforme a posição institucional alcançada em certos departamentos durante o final do século XX.

Resultados duradouros[editar]

Mesmo críticos reconhecem contribuições como:

  • centralidade da produtividade;
  • necessidade de representar hierarquia;
  • importância das dependências não locais;
  • formulação explícita de hipóteses;
  • investigação da aquisição;
  • integração da linguagem às ciências cognitivas.

Questões em aberto[editar]

Permanecem abertas:

  • quanto da estrutura linguística é especificamente inato;
  • como a linguagem é implementada no cérebro;
  • como representações simbólicas e probabilísticas se relacionam;
  • como a diversidade emerge;
  • qual é o papel da comunicação;
  • como Merge deve ser formalizado;
  • se parâmetros são necessários;
  • como a linguagem evoluiu;
  • como integrar gramática, processamento e uso;
  • que evidências distinguem teorias concorrentes.

Avaliação geral[editar]

O gerativismo transformou o modo como a linguística formula seu objeto. A pergunta deixou de ser apenas quais formas aparecem em uma língua e passou a incluir que sistema permite ao falante produzir, compreender e julgar essas formas.

Seu desenvolvimento não foi linear. A teoria inicial de regras sintagmáticas e transformações deu lugar à Teoria Padrão; estruturas profundas e superficiais foram reformuladas como Estrutura-D e Estrutura-S; Regência e Ligação substituiu regras por módulos; Princípios e Parâmetros procurou explicar unidade e diversidade; o Minimalismo eliminou níveis e reduziu operações a mecanismos como Merge.

Por isso, conceitos de uma fase não devem ser apresentados como propriedades permanentes. Estrutura profunda não é componente do Minimalismo; sentenças passivas não são hoje simplesmente transformações opcionais de ativas; parâmetros não pertencem à formulação de 1957; e Merge não é apenas novo nome para antigas regras transformacionais.

A Gramática Universal também mudou. De uma teoria relativamente rica sobre o formato das gramáticas, passou a um sistema de princípios e parâmetros e, depois, a um objeto que o Minimalismo procura reduzir.

As críticas mostraram a necessidade de integrar variação, uso, frequência, interação, tipologia e processamento. O gerativismo respondeu parcialmente por meio da sintaxe comparativa, das interfaces, da experimentação e da biolinguística, mas tensões permanecem.

Seu legado não depende de todas as hipóteses se confirmarem. A tradição estabeleceu problemas que qualquer teoria abrangente precisa enfrentar: produtividade, aquisição, estrutura hierárquica, dependência estrutural, relação entre experiência e conhecimento e inserção da linguagem na cognição humana.

Organização dos artigos relacionados[editar]

Para evitar que este verbete se torne uma exposição técnica excessivamente extensa, os seguintes temas devem possuir artigos próprios:

Ver também[editar]

Referências[editar]


Bibliografia comentada[editar]

Obras fundamentais de Noam Chomsky[editar]

  • CHOMSKY, Noam. Syntactic Structures. The Hague: Mouton, 1957.

Obra de apresentação do primeiro modelo transformacional. Discute gramáticas de estados finitos, estrutura sintagmática, transformações, autonomia da sintaxe e critérios de avaliação. Não contém a arquitetura da Teoria Padrão nem os conceitos minimalistas posteriores.

  • CHOMSKY, Noam. Review of B. F. Skinner, Verbal Behavior. Language, v. 35, n. 1, p. 26–58, 1959.

Crítica à tentativa de Skinner de estender categorias da análise experimental do comportamento à linguagem. Tornou-se documento emblemático da revolução cognitiva, embora sua relação com o declínio do behaviorismo seja objeto de debate histórico.

  • CHOMSKY, Noam. Aspects of the Theory of Syntax. Cambridge, MA: MIT Press, 1965.

Formula a Teoria Padrão, desenvolve a distinção entre competência e desempenho e apresenta a arquitetura com base, transformações, estrutura profunda e estrutura superficial.

  • CHOMSKY, Noam. Cartesian Linguistics: A Chapter in the History of Rationalist Thought. New York: Harper & Row, 1966.

Relaciona problemas da linguística gerativa a tradições racionalistas. Sua reconstrução histórica foi influente, mas recebeu críticas de historiadores da filosofia e da linguística.

  • CHOMSKY, Noam; HALLE, Morris. The Sound Pattern of English. New York: Harper & Row, 1968.

Marco da fonologia gerativa. Desenvolve representações por traços distintivos e regras ordenadas.

  • CHOMSKY, Noam. Language and Mind. New York: Harcourt, Brace & World, 1968.

Apresenta para público mais amplo a concepção mentalista e racionalista da linguagem.

  • CHOMSKY, Noam. Remarks on nominalization. In: JACOBS, Roderick A.; ROSENBAUM, Peter S. (orgs.). Readings in English Transformational Grammar. Waltham: Ginn, 1970. p. 184–221.

Texto central para o lexicalismo e para a restrição do poder das transformações.

  • CHOMSKY, Noam. Studies on Semantics in Generative Grammar. The Hague: Mouton, 1972.

Reúne trabalhos importantes da transição para a Teoria Padrão Estendida.

  • CHOMSKY, Noam. Conditions on transformations. In: ANDERSON, Stephen R.; KIPARSKY, Paul (orgs.). A Festschrift for Morris Halle. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1973. p. 232–286.

Representa o movimento de substituição de transformações específicas por restrições gerais.

  • CHOMSKY, Noam. Reflections on Language. New York: Pantheon, 1975.

Discussão dos fundamentos epistemológicos, da aquisição e da natureza do conhecimento linguístico.

  • CHOMSKY, Noam. Rules and Representations. New York: Columbia University Press, 1980.

Desenvolve a concepção modular da mente e a distinção entre sistemas de representação.

  • CHOMSKY, Noam. Lectures on Government and Binding. Dordrecht: Foris, 1981.

Obra central do modelo de Regência e Ligação e da abordagem de Princípios e Parâmetros.

  • CHOMSKY, Noam. Knowledge of Language: Its Nature, Origin, and Use. New York: Praeger, 1986.

Formula a distinção entre língua-I e língua-E e desenvolve o internalismo.

  • CHOMSKY, Noam. Barriers. Cambridge, MA: MIT Press, 1986.

Discute localidade, barreiras ao movimento e estrutura sintagmática.

  • CHOMSKY, Noam; LASNIK, Howard. The theory of Principles and Parameters. In: JACOBS, Joachim et al. (orgs.). Syntax: An International Handbook of Contemporary Research. Berlin: De Gruyter, 1993. p. 506–569.

Síntese extensa do modelo anterior ao Minimalismo.

  • CHOMSKY, Noam. A minimalist program for linguistic theory. In: HALE, Kenneth; KEYSER, Samuel Jay (orgs.). The View from Building 20. Cambridge, MA: MIT Press, 1993. p. 1–52.

Primeira exposição sistemática da orientação minimalista.

  • CHOMSKY, Noam. The Minimalist Program. Cambridge, MA: MIT Press, 1995.

Reúne textos fundamentais sobre economia, estrutura sintagmática nua, interfaces e arquitetura minimalista.

  • CHOMSKY, Noam. Minimalist inquiries: The framework. In: MARTIN, Roger; MICHAELS, David; URIAGEREKA, Juan (orgs.). Step by Step: Essays on Minimalist Syntax in Honor of Howard Lasnik. Cambridge, MA: MIT Press, 2000. p. 89–155.

Desenvolve Agree, fases e uma arquitetura derivacional mais recente.

  • CHOMSKY, Noam. Derivation by phase. In: KENSTOWICZ, Michael (org.). Ken Hale: A Life in Language. Cambridge, MA: MIT Press, 2001. p. 1–52.

Texto central para a teoria de fases.

  • CHOMSKY, Noam. Beyond explanatory adequacy. In: BELLETTI, Adriana (org.). Structures and Beyond. Oxford: Oxford University Press, 2004. p. 104–131.

Discute a tentativa minimalista de explicar o desenho da faculdade da linguagem.

  • CHOMSKY, Noam. Three factors in language design. Linguistic Inquiry, v. 36, n. 1, p. 1–22, 2005.

Formula a distinção entre dotação genética, experiência e princípios gerais.

  • CHOMSKY, Noam. On phases. In: FREIDIN, Robert; OTERO, Carlos P.; ZUBIZARRETA, Maria Luisa (orgs.). Foundational Issues in Linguistic Theory. Cambridge, MA: MIT Press, 2008. p. 133–166.

Desenvolve a teoria de fases e a relação entre Merge, transferência e interfaces.

  • CHOMSKY, Noam. The Minimalist Program: 20th Anniversary Edition. Cambridge, MA: MIT Press, 2015.

Edição comemorativa com reflexão retrospectiva sobre o programa.

História da gramática gerativa[editar]

  • FREIDIN, Robert. Foundations of Generative Syntax. Cambridge, MA: MIT Press, 1992.

Reconstrói a evolução da teoria transformacional até Princípios e Parâmetros.

  • HARRIS, Randy Allen. The Linguistics Wars. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2021.

História das controvérsias entre semântica interpretativa, semântica gerativa e correntes posteriores.

  • HUCK, Geoffrey J.; GOLDSMITH, John A. Ideology and Linguistic Theory: Noam Chomsky and the Deep Structure Debates. London: Routledge, 1995.

Analisa os debates teóricos e institucionais em torno da estrutura profunda e da semântica.

  • KOERNER, E. F. K. Toward a historiography of linguistics. Amsterdam: John Benjamins, 1978.

Conjunto de trabalhos fundamentais para uma historiografia crítica da linguística.

  • MATTHEWS, Peter H. Grammatical Theory in the United States from Bloomfield to Chomsky. Cambridge: Cambridge University Press, 1993.

Apresenta continuidades e rupturas entre estruturalismo americano e gerativismo.

  • NEWMEYER, Frederick J. Linguistic Theory in America. 2. ed. Orlando: Academic Press, 1986.

História interna do desenvolvimento da teoria gerativa e de suas controvérsias.

  • TOMALIN, Marcus. Linguistics and the Formal Sciences: The Origins of Generative Grammar. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.

Examina as relações entre gramática gerativa, lógica, matemática e teoria da computação.

Introduções à sintaxe gerativa[editar]

  • ADGER, David. Core Syntax: A Minimalist Approach. Oxford: Oxford University Press, 2003.

Introdução ao Minimalismo, com atenção a traços, Merge, movimento e concordância.

  • CARNIE, Andrew. Syntax: A Generative Introduction. 4. ed. Hoboken: Wiley-Blackwell, 2021.

Manual amplo e acessível de sintaxe gerativa.

  • HAEGEMAN, Liliane. Introduction to Government and Binding Theory. 2. ed. Oxford: Blackwell, 1994.

Exposição detalhada da Teoria de Regência e Ligação.

  • HORNSTEIN, Norbert; NUNES, Jairo; GROHMANN, Kleanthes K. Understanding Minimalism. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

Introdução aos fundamentos e às operações do Programa Minimalista.

  • LASNIK, Howard; URIAGEREKA, Juan. A Course in GB Syntax. Cambridge, MA: MIT Press, 1988.

Apresentação técnica do modelo de Regência e Ligação.

  • RADFORD, Andrew. Minimalist Syntax: Exploring the Structure of English. Cambridge: Cambridge University Press, 2004.

Introdução didática à sintaxe minimalista.

  • ROBERTS, Ian. The Oxford Handbook of Universal Grammar. Oxford: Oxford University Press, 2017.

Coletânea sobre Gramática Universal, variação, aquisição e arquitetura.

Aquisição e Gramática Universal[editar]

  • BERWICK, Robert C.; CHOMSKY, Noam. Why Only Us: Language and Evolution. Cambridge, MA: MIT Press, 2016.

Apresenta uma hipótese minimalista sobre evolução, Merge e externalização.

  • CRAIN, Stephen; LILLO-MARTIN, Diane. An Introduction to Linguistic Theory and Language Acquisition. Oxford: Blackwell, 1999.

Relaciona teoria gramatical e evidências de aquisição.

  • GUASTI, Maria Teresa. Language Acquisition: The Growth of Grammar. 2. ed. Cambridge, MA: MIT Press, 2017.

Manual abrangente de aquisição em perspectiva gerativa.

  • HYAMS, Nina. Language Acquisition and the Theory of Parameters. Dordrecht: Reidel, 1986.

Obra clássica sobre aquisição e parâmetros.

  • LEGATE, Julie Anne; YANG, Charles. Empirical re-assessment of stimulus poverty arguments. The Linguistic Review, v. 19, p. 151–162, 2002.

Discute modos de formular e testar argumentos de pobreza do estímulo.

  • PULLUM, Geoffrey K.; SCHOLZ, Barbara C. Empirical assessment of stimulus poverty arguments. The Linguistic Review, v. 19, p. 9–50, 2002.

Crítica influente à formulação de diferentes argumentos de pobreza do estímulo.

  • YANG, Charles. Knowledge and Learning in Natural Language. Oxford: Oxford University Press, 2002.

Combina gramática, parâmetros e aprendizagem probabilística.

Minimalismo e biolinguística[editar]

  • BOECKX, Cedric. Linguistic Minimalism: Origins, Concepts, Methods, and Aims. Oxford: Oxford University Press, 2006.

Apresentação conceitual dos objetivos minimalistas.

  • BOECKX, Cedric; GROHMANN, Kleanthes K. The Biolinguistics Manifesto. Biolinguistics, v. 1, p. 1–8, 2007.

Documento programático sobre biolinguística.

  • FITCH, W. Tecumseh. The Evolution of Language. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

Discussão interdisciplinar da evolução da linguagem.

  • HAUSER, Marc D.; CHOMSKY, Noam; FITCH, W. Tecumseh. The faculty of language: What is it, who has it, and how did it evolve? Science, v. 298, p. 1569–1579, 2002.

Formula a distinção entre faculdade ampla e restrita e discute a hipótese da recursividade.

  • PIATTELLI-PALMARINI, Massimo et al. (orgs.). Of Minds and Language: A Dialogue with Noam Chomsky in the Basque Country. Oxford: Oxford University Press, 2009.

Debates entre linguística, biologia, cognição e evolução.

Críticas e alternativas[editar]

  • BYBEE, Joan. Language, Usage and Cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

Apresenta uma abordagem baseada no uso, na frequência e na emergência de padrões.

  • CHRISTIANSEN, Morten H.; CHATER, Nick. Creating Language: Integrating Evolution, Acquisition, and Processing. Cambridge, MA: MIT Press, 2016.

Defende uma explicação baseada em evolução cultural e mecanismos gerais.

  • CROFT, William. Radical Construction Grammar. Oxford: Oxford University Press, 2001.

Propõe uma abordagem tipológica e construcional crítica a categorias universais pré-estabelecidas.

  • GOLDBERG, Adele E. Constructions: A Construction Grammar Approach to Argument Structure. Chicago: University of Chicago Press, 1995.

Obra central da Gramática de Construções.

  • LANGACKER, Ronald W. Foundations of Cognitive Grammar. Stanford: Stanford University Press, 1987–1991. 2 v.

Apresenta a gramática cognitiva e rejeita a autonomia da sintaxe.

  • TOMASELLO, Michael. Constructing a Language: A Usage-Based Theory of Language Acquisition. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2003.

Crítica à aquisição paramétrica e defesa da aprendizagem de construções.

Gerativismo e língua portuguesa[editar]

  • CYRINO, Sonia Maria Lazzarini. O objeto nulo no português do Brasil: um estudo sintático-diacrônico. Londrina: Editora da UEL, 1997.

Estudo do objeto nulo e da mudança sintática no português brasileiro.

  • FIGUEIREDO SILVA, Maria Cristina. A posição sujeito no português brasileiro. Campinas: Editora da Unicamp, 1996.

Análise da posição de sujeito no quadro gerativo.

  • GALVES, Charlotte. Ensaios sobre as gramáticas do português. Campinas: Editora da Unicamp, 2001.

Reúne estudos sobre gramática, mudança e português brasileiro.

  • KATO, Mary Aizawa. A gramática do letrado: questões para a teoria gramatical. In: MARQUES, Maria Aldina et al. (orgs.). Ciências da linguagem: trinta anos de investigação e ensino. Braga: Universidade do Minho, 2005.

Discute diferenças entre gramática adquirida e escrita letrada.

  • KATO, Mary Aizawa; ROBERTS, Ian (orgs.). Português brasileiro: uma viagem diacrônica. Campinas: Editora da Unicamp, 1993.

Coletânea central sobre mudança e parâmetros no português brasileiro.

  • LEMLE, Miriam. Análise sintática: teoria geral e descrição do português. São Paulo: Ática, 1984.

Introdução brasileira à sintaxe gerativa.

  • MIOTO, Carlos; SILVA, Maria Cristina Figueiredo; LOPES, Ruth. Novo manual de sintaxe. São Paulo: Contexto, 2013.

Manual de sintaxe gerativa amplamente utilizado no Brasil.

  • NUNES, Jairo. Linearization of Chains and Sideward Movement. Cambridge, MA: MIT Press, 2004.

Contribuição brasileira ao Minimalismo, à teoria de cópias e ao movimento.

  • RAMOS, Jânia; ALKMIM, Mônica (orgs.). Para a história do português brasileiro. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, vários volumes.

Reúne estudos históricos de diferentes orientações, incluindo análises gerativas.

  • TARALLO, Fernando; KATO, Mary Aizawa. Harmonia trans-sistêmica: variação intra- e interlinguística. Diadorim, trabalhos originalmente publicados em 1989.

Texto importante para o diálogo entre teoria paramétrica e sociolinguística.

Introduções em português[editar]

  • KENEDY, Eduardo. Gerativismo. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo (org.). Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008.

Introdução acessível aos fundamentos do gerativismo.

  • KENEDY, Eduardo. Curso básico de linguística gerativa. São Paulo: Contexto, 2013.

Apresentação didática dos conceitos centrais e da análise sintática.

  • LOBATO, Lúcia Maria Pinheiro. Sintaxe gerativa do português: da teoria padrão à teoria da regência e ligação. Belo Horizonte: Vigília, 1986.

História e exposição das primeiras fases da teoria aplicadas ao português.

  • MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina (orgs.). Introdução à linguística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, vários volumes.

Inclui capítulos introdutórios sobre gerativismo, sintaxe e aquisição.

  • NEGRÃO, Esmeralda Vailati; SCHER, Ana Paula; VIOTTI, Evani. Sintaxe: explorando a estrutura da sentença. In: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística II: princípios de análise. São Paulo: Contexto, 2003.

Introdução à análise sintática e à constituição hierárquica.