Por Visconde de Taunay (1871)
A Retirada da Laguna narra a dramática expedição do Exército brasileiro durante a Guerra do Paraguai, destacando as dificuldades enfrentadas pelos soldados em território inimigo. A obra descreve combates, doenças, fome e a dura travessia pelo interior, valorizando a coragem e o sofrimento humano. O relato combina memória histórica e sensibilidade literária ao retratar a experiência da guerra.
Episódio da Guerra do Paraguai
Prefácio da Décima Terceira Edição
Em seis anos divulgaram-se cerca de seis mil exemplares da Retirada da Laguna da última edição impressa.
Mostra tal fato quanto os leitores brasileiros se interessam pela história pungentíssima deste episódio da Guerra do Paraguai, que figura entre as mais belas e notáveis coisas da tradição de nosso pais.
Razão de sobra lhes assiste: não receia ele confronto com os mais elevados feitos dos anais militares das nações do Ocidente.
É que poucas tropas – com tamanha intrepidez e espírito de abnegação patriótica – sofreram o que suportaram os nossos soldados da Constância e do Valor.
A esta edição anexei três documentos honradíssimos para o autor da Retirada da Laguna e sua obra (ver pág. 12). É o primeiro a carta pela qual Caxias lhe agradece a oferta de um exemplar da Retirada, manifestando-lhe o seu louvor ao livro e o apreço em que tinha o seu autor.
Assim, mais uma vez e mais largamente se divulga uma das vozes mais antigas de aplauso que a narrativa xenofôntica mereceu. De que prestígio se reveste este depoimento! Partiu do grande e invicto cabo-de-guerra, expressamente ao ofertante do livro quanto o seu relato vinha robustecer-lhe a convicção, de que as forças empenhadas na campanha de Mato Grosso e na Retirada da Laguna, parte do exército de que era generalíssimo, “cumprira sempre seu dever, sustentando sempre a gloria das Armas Brasileiras”.
Assim de início teve a épica narrativa da campanha de maio de 1867 a consagração do aplauso do magno Pacificador, gênio tutelar da nossa unidade nacional, broquel do Brasil agredido exteriormente e ínclito patrono do Exército Brasileiro.
O segundo dos documentos veio a ser a mensagem por Taunay merecida de seus irmãos de armas, quando em 1885 e em virtude de circunstâncias políticas incômodas, se não desagradáveis de sua carreira de homem público e parlamentar, deixou o serviço do Exército.
Mais honrosas palavras de despedida seria impossível redigir do que as que encerraram esta manifestação subscrita por centenas de oficiais-generais, oficiais superiores e outros menos graduados, de toda a hierarquia militar da época, partindo de um marechal de exército e ajudante-general do exército aos simples alferes e cadetes.
Constituem estes apelidos um rol do mais alto significado. Nele surgem muitos dos mais glorioso nomes de servidores do Brasil, já então, aureolados pela reputação de seus feitos, e outros ainda no início de suas grandes carreiras.
O último dos três documentos refere-se à manifestação que várias centenas de oficiais-generais, superiores e outros pertencentes à guarnição do Rio de Janeiro, fizeram ao então major Taunay em testemunho de gratidão da classe à sua atuação de parlamentar, como membro que fora da Câmara dos Deputados em duas legislaturas. À sua iniciativa devia haverem-se incorporado à legislação do país medidas de alta benemerência como fossem: a imprescritibilidade dos direitos das viúvas dos militares ao meio soldo, o reajustamento das tabelas de soldos e etapas, a contagem em dobro do tempo de serviço em campanha, entre outras medidas de menor alcance.
Ofereceram-lhe os manifestantes, encabeçados por um dos mais ilustres e prestigiosos oficias daquele tempo, o heróico Antonio Tibúrcio Ferreira Sousa, magnífico retrato a óleo, de tamanho natural.
Em todo o Brasil provocou a passagem do primeiro centenário natalício do autor de Retirada da Laguna, a ocorrência de consideráveis demonstrações de apreço à memória do soldado escritor.
Partiram as primeiras do Exercito Nacional. Por intermedio de generosa ordem do dia, determinou o então Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, que todas as guarnições do pais festivamente celebrassem a efemérides de 22 de fevereiro de 1943 em altamente significativas cerimonias. Em largos artigos recordou a Imprensa Brasileira o que fora a vida e era a obra do militar, do escritor, do parlamentar, do nacionalista apaixonado, do administrador. E vários dos seus mais prestigiosos órgãos a tal fim consagraram largas colunas e paginas de suas edições como sobretudo o fizeram o “Jornal do Comercio” e “O Estado de São Paulo”.
Magníficas cerimonias votivas realizaram-se no Rio de Janeiro, por parte do Exercito, do Instituto Histórico Brasileiro, da Irmandade de Santa Cruz dos Militares, de numerosas e prestigiosas associações militares, de numerosas e prestigiosas associações militares, literárias e Histórico de São Paulo e seus congêneres de diversos Estados, sobretudo no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, promovendo sessões especiais as mais honrosas.
Em todo o Brasil, de extremo a extremo, pode-se afirma-lo, a memória do autor da Retirada envolveu uma onda de simpatia e apreço que aos filhos do reverenciado trouxe a mais grata emoção de despertou-lhes a mais reconhecida saudade.
(continua...)
TAUNAY, Visconde de. A Retirada da Laguna. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=17499 . Acesso em: 28 fev. 2026.