Por Pedro Simões
17/07/2025
A publicitária, escritora, roteirista e dramaturga Ana Maria Gonçalves foi eleita na tarde desta quinta-feira (10/07) para a cadeira nº 33 da Academia Brasileira de Letras, vaga aberta com a morte de Evanildo Bechara. Ela se torna a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira da academia, que completa este mês 128 anos.
Ana Maria Gonçalves é autora de "Defeito de Cor". O livro, com quase mil páginas, narra a história de Kehinde, nascida no Reino de Daomé, capturada aos 8 anos e trazida, como escrava, para o Brasil. Aqui ela refaz sua vida e conta a escravidão a partir de sua própria perspectiva.
A partir de sua perspectiva, o romance histórico conta quase um século da história brasileira passando por temas como racismo, escravidão, identidade negra e ancestralidade, resistência feminina, diáspora africana, história do Brasil e África no século XIX, relações familiares e maternidade, entre outros.
Misturando ficção com personagens e eventos reais, Defeito de Cor é um romance de formação e também um testemunho histórico, escrito com riqueza de linguagem, detalhes culturais e históricos.
Assim, a presença de Ana Maria Gonçalves na Academia Brasileira de Letras é extremamente revelante para a representatividade de escritoras negras no Brasil, bem como de literatura sobre o período da escravidão, que marcou o Brasil e o mundo para sempre.