Por Ronaldo Martins
26/02/2026
O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais ajuizou ação civil pública contra a TV Globo por considerar inadequada a pronúncia da palavra “recorde” em telejornais da emissora. O órgão pede indenização de R$ 10 milhões por dano moral coletivo e a adoção da forma considerada correta em futuras transmissões.
A ação foi protocolada na Justiça Federal em Minas Gerais e questiona o uso recorrente da pronúncia “récorde”, com tonicidade na primeira sílaba, em reportagens e telejornais da emissora. Segundo o MPF, a forma adequada na norma culta do português brasileiro seria “recórde”, com acento tônico na penúltima sílaba, por se tratar de substantivo.
De acordo com o Ministério Público, a emissora, ao utilizar a forma que considera incorreta, estaria contribuindo para a disseminação de erro linguístico em âmbito nacional, dado o alcance de sua programação. O órgão argumenta que veículos de grande audiência têm responsabilidade social na difusão da língua portuguesa.
Na ação civil pública, o MPF pede que a Globo seja condenada ao pagamento de R$ 10 milhões a título de dano moral coletivo, valor que, se confirmado, seria destinado a fundos públicos. O órgão também requer que a emissora passe a adotar a pronúncia que entende como correta em seus programas jornalísticos e que promova orientação interna a apresentadores e repórteres.
A ação reacende debate sobre o papel de órgãos públicos na regulação de usos linguísticos e sobre os limites entre prescrição normativa e variação legítima no português brasileiro. O caso será analisado pela Justiça Federal, que decidirá sobre a procedência ou não dos pedidos formulados pelo Ministério Público.