Por Pedro Simões
22/12/2025
Um novo estudo da Rede Nacional Primeira Infância revela que bebês e crianças de até três anos expostos a mais de duas horas diárias de telas enfrentam riscos severos de atrasos no desenvolvimento. O relatório aponta que a substituição de interações humanas por dispositivos digitais compromete a aquisição da linguagem, a memória e o controle de impulsos, reforçando a recomendação de "tela zero" para menores de dois anos e limites rigorosos para a primeira infância.
O desenvolvimento cerebral na primeira infância (do nascimento aos seis anos) ocorre em uma velocidade sem precedentes. É nesse período que as conexões neurais são moldadas pelas experiências sensoriais e sociais. De acordo com o estudo "Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais", o uso excessivo de dispositivos como smartphones e tablets atua como um "ruído" nesse processo, privando a criança de estímulos essenciais para o amadurecimento cognitivo.
A principal preocupação levantada pelos especialistas é o atraso na fala. A linguagem é aprendida através da interação face a face, da observação de expressões faciais e da resposta contingente (quando o adulto responde ao balbucio do bebê). Telas oferecem uma comunicação unidirecional. Crianças que passam tempo excessivo diante de vídeos, mesmo os "educativos", tendem a apresentar um vocabulário mais pobre e maior dificuldade em estruturar frases complexas, já que a tela não substitui a troca afetiva necessária para a alfabetização emocional e verbal.
O conteúdo digital moderno é caracterizado por trocas rápidas de imagens e sons, o que sobrecarrega o sistema de recompensa do cérebro. Isso pode resultar em:
O estudo enfatiza que o problema não reside apenas na luz azul ou no conteúdo, mas no que a criança deixa de fazer enquanto está conectada. O uso de telas frequentemente substitui o brincar livre, o movimento físico e a interação com cuidadores — pilares fundamentais para a saúde mental e motora.
A ausência de supervisão potencializa os riscos, pois a criança consome conteúdos aleatórios sem o filtro mediador de um adulto que possa explicar ou contextualizar o que está sendo visto.
Para mitigar esses danos, as diretrizes de saúde brasileiras e internacionais sugerem:
O relatório conclui que a proteção da primeira infância no mundo digital é uma responsabilidade compartilhada entre famílias, Estado e empresas de tecnologia, visando garantir que a inovação não atropele as necessidades biológicas do crescimento humano.
Fonte