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#Elegias#Literatura Brasileira

Ao retiro que fez este ilustríssimo prelado, sentidíssimo e magoado pela tirana e violenta morte que o capitão da guarda Luiz Ferreira de Noronha deu a seu sobrinho

Por Gregório de Matos (1696)

Poema elegíaco-encomiástico atribuído a Gregório de Matos, provavelmente composto na Bahia no fim do século XVII. Conhecido apenas por manuscritos e publicado em edições críticas modernas, registra o recolhimento dolorido do prelado após o assassinato de seu sobrinho.

Um benemérito peito,

uma Sacra Dignidade

sentir vem na soledade

da parca o cruel efeito:

que de um golpe sem respeito

quis cortar o vital fio,

sem atender Senhorio,

nem ver, o despojo horrendo,

de quem se agravara, vendo

desautorizado o brio.


Já de todo o mal distando

em Belém busca o retiro,

onde um, e outro suspiro

a pena estão aumentando:

e no pesar contemplando

jamais será divertido,

vendo de todo perdido

por culpa de um traidor vil

aquele Adónis gentil

a cadáver reduzido


Se a lei se deve observar,

como agora falta, e tarda?

a Justiça apenas guarda,

que agradou por aguardar:

privou por se depravar

pela via nunca usada,

deu ao vício franca entrada,

e bem se pode entender,

que enquanto vivo há de ser

privado pela privada.


Mas que muito haja amparado

um Calígula tirano

a seu amigo inumano

Capitão de cama, e lado?

o vulgo tem murmurado,

e a maldade não se doma,

e a sem-razão, que se assoma,

como demais já sobeja

contra um Ministro da Igreja

um nefando de Sodoma.

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