Por Gregório de Matos (1696)
Poema narrativo-satírico atribuído a Gregório de Matos, composto provavelmente na Bahia no final do século XVII. Transmitido apenas em manuscritos e publicado em edições críticas modernas, relata o homicídio de José de Mello por Luiz Ferreira de Noronha, episódio que marcou a vida política e eclesiástica local.
Brilha em seu auge a mais luzida estrela,
Em sua pompa existe a flor mais pura,
Se esta do prado frágil formosura,
Brilhante ostentação do céu aquela.
Quando ousada uma nuvem a atropela,
Se a outra troca em lástima a candura,
Que há também para estrelas sombra escura,
Se para flores há, quem as não zela.
Estrela e flor, José, em ti se encerra,
Porque ser flor, e estrela mereceu
Teu garbo, a quem a Parca hoje desterra.
E para se admirar o indulto teu,
Como flor te sepultas cá na terra,
Como estrela ressurges lá no céu.
Baixar texto completo (.txt)