Por Pedro Simões
24/06/2025
Um manuscrito do século XIII que narra episódios da lenda do Rei Arthur e do mago Merlin foi redescoberto por um arquivista da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. O documento, escrito em francês antigo, pertence à Suite Vulgate du Merlin e revela dois trechos inéditos: uma batalha épica contra os saxões e uma cena mágica em que Merlin aparece disfarçado como um harpista.
A descoberta foi possível graças a técnicas avançadas de imagem e tomografia computadorizada. Os pesquisadores criaram um modelo 3D do manuscrito, permitindo o "desdobramento virtual" das páginas sem danificar o material. A equipe utilizou um scanner industrial do Departamento de Zoologia — normalmente usado em fósseis — para mapear com precisão vincos e dobras da encadernação do século XVI.
Os fragmentos estavam escondidos dentro de uma capa antiga, onde foram reutilizados como reforço. Segundo Irène Fabry-Tehranchi, da Biblioteca de Cambridge, o objetivo do projeto é desenvolver um método aplicável a outros casos semelhantes, já que muitas bibliotecas abrigam relíquias frágeis encadernadas em volumes posteriores.
A lenda do Rei Arthur, registrada pela primeira vez no século XII pelo poeta Wace, era especialmente popular entre a aristocracia medieval. As histórias eram frequentemente lidas em voz alta ou dramatizadas por trovadores, muitas vezes acompanhados de instrumentos musicais.
No trecho descoberto, Merlin aparece como um harpista cego que desaparece no ar e reaparece como uma criança careca proclamando éditos ao rei Arthur — uma representação vívida de sua natureza mágica e de seu papel como conselheiro.
A redescoberta de textos como esse é considerada crucial não apenas para a pesquisa histórica e linguística, mas também para a valorização cultural. Especialistas defendem que preservar esse tipo de literatura é fundamental para manter viva a memória de tradições que moldaram o imaginário ocidental.