Por Karine Sales
24/06/2025
O Museu da Língua Portuguesa (MLP) e o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP) se uniram para a criação do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas. Essa iniciativa reúne acervo linguístico e cultural dos povos originários e fortalece sua presença na pesquisa e na educação superior.
Com o objetivo de preservar e valorizar a diversidade linguística e cultural dos povos indígenas, foi inaugurado em São Paulo um centro de documentação dedicado exclusivamente a esse universo. A proposta reúne esforços do Museu da Língua Portuguesa e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP), formando uma parceria inédita no país.
Segundo dados do Censo 2022, realizado pelo IBGE, o Brasil conta com cerca de 1,7 milhão de indígenas autodeclarados, pertencentes a 305 etnias distintas e falantes de aproximadamente 274 línguas diferentes. Diante desse cenário plural, o novo centro surge como um espaço de referência para o registro, o estudo e a divulgação desse patrimônio imaterial.
A iniciativa está em sintonia com a Década Internacional das Línguas Indígenas, proclamada pela Unesco para o período de 2022 a 2032. O projeto visa não apenas à conservação dessas línguas, mas também ao fortalecimento das epistemologias indígenas no meio acadêmico.
Com investimento de R$ 14 milhões oriundos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o centro irá desenvolver acervos digitais, fomentar pesquisas e oferecer bolsas de estudo voltadas a pesquisadores indígenas. Também está prevista a criação de uma vaga permanente de docente na USP, voltada exclusivamente às temáticas indígenas.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, destacou a importância do projeto como um marco na história da valorização dos povos originários: “Agora existe a garantia de um espaço institucional que registra e promove a riqueza das nossas línguas e culturas. Esse centro será um farol para todos os povos indígenas do Brasil”.
Além do caráter acadêmico, a proposta busca promover a inclusão de saberes indígenas nos ambientes universitários, estimulando práticas profissionais mais alinhadas às realidades e demandas dessas comunidades. O reconhecimento e a presença ativa dos povos indígenas em espaços de pesquisa científica representam avanços significativos em direção à justiça epistemológica e à equidade cultural.