Por Sthefany Vogado
24/06/2025
Morreu no domingo, 8 de junho, Leonardo Valente, escritor, jornalista e professor da UFRJ. Leonardo Valente é o autor de "Relicário de cuspes" (2023), "Criogenia de D. ou manifesto pelos prazeres perdidos" (2021), "Calote" (2020), “O Beijo da Pombagira” (2019), “Apoteose” (2018) e “Charlotte Tábua Rasa” (2016).
Nascido em Niterói, Leonardo Valente consolidou uma carreira singular que transitou entre o jornalismo, a academia e a literatura com igual maestria. Formado inicialmente em Jornalismo, dedicou uma década (1999-2009) à redação do jornal O Globo antes de enveredar pelo universo acadêmico, onde se tornou doutor em Ciência Política e assumiu a direção do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ.
Como escritor, destacou-se por sua prosa inventiva e pelo olhar agudo sobre questões contemporâneas, publicando seis livros que lhe renderam reconhecimento crítico e premiações literárias. Sua obra mais recente, "Relicário de cuspes" (2023), seguiu o caminho de sucesso de "Criogenia de D. ou manifesto pelos prazeres perdidos" (2021), livro que ultrapassou fronteiras com traduções para inglês e espanhol, publicação em cinco países e uma adaptação teatral protagonizada por Tânia Alves. Antes disso, já havia marcado presença no cenário literário com títulos como “Charlotte Tábua Rasa” (2016), “Apoteose” (2018), “O Beijo da Pombagira” (2019) — finalista do Prêmio Rio de Literatura — e Calote (2020), vencedor do Prêmio Júlia Lopes da UBE. Além de sua produção autoral, organizou a coletânea Antifascistas (2020), reunindo vozes relevantes da literatura em língua portuguesa.
Valente entendia a escrita como um ato de liberdade, tanto criativa quanto política. Defensor ferrenho da democratização do acesso aos livros, apostava no mercado editorial independente e na formação de novos leitores como imperativos para a cultura brasileira. Em 2023, ainda colaborou com O GLOBO, analisando o romance "O manto da noite", de Carola Saavedra, em um artigo que refletia seu estilo crítico e envolvente.
Sua morte, aos 50 anos, foi anunciada neste domingo em suas redes sociais, com uma mensagem emocionada: "Nosso amado Léo se foi neste domingo. Em breve a família dará mais informações sobre data e horário do velório. Descanse em paz, Leo! Te amamos!". A partida precoce de Valente deixa um vazio não apenas na literatura, mas em todas as esferas em que sua voz plural habitou.