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#Notícias#Sociolinguística

Iphan lança plataforma digital inédita do Inventário Nacional da Diversidade Linguística

Por Ronaldo Martins

03/07/2026

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou, em 22 de junho de 2026, a plataforma digital do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL). A ferramenta - disponível em https://indl.iphan.gov.br/ - centraliza o acesso a documentos, fotos, áudios e vídeos sobre as diferentes línguas faladas no território brasileiro.

A criação da plataforma digital do Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL) marca uma nova etapa nas políticas de preservação do patrimônio imaterial do Brasil. Desenvolvido pelo Iphan em parceria com a Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília (FCI/UnB), o ambiente virtual foi planejado para digitalizar e dar publicidade ao mapeamento do cenário plurilingue do país, integrando dados coletados ao longo de mais de uma década.

A ferramenta foi disponibilizada com um acervo inicial superior a 2 mil itens catalogados, divididos em 20 coleções temáticas. O material engloba diagnósticos sociolinguísticos, relatórios de pesquisa, registros fotográficos, cartografia de territórios, listagens de escolas bilíngues e arquivos multimídia (gravações sonoras e vídeos) colhidos durante os trabalhos de campo.

Atualmente, a base de dados contempla estudos detalhados sobre as línguas que já foram inventariadas ou que estão em processo de análise pelo comitê técnico do instituto. A plataforma organiza o patrimônio linguístico nacional a partir de cinco macrocategorias fundamentais:

Conforme as diretrizes institucionais estabelecidas no lançamento, o projeto visa cumprir três objetivos principais: expandir o acesso público a dados científicos de alta qualidade, subsidiar a formulação de políticas educacionais e culturais direcionadas a minorias linguísticas e assegurar a salvaguarda ativa de línguas consideradas em situação de vulnerabilidade ou risco de extinção.

A plataforma utiliza a tecnologia de código aberto Tainacan — o mesmo sistema empregado no agregador cultural "Bem Brasileiro" do Iphan —, o que permite flexibilidade no gerenciamento dos metadados e garante a interoperabilidade das informações com repositórios internacionais, incluindo a base de dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Um dos aspectos técnicos enfatizados durante a solenidade de lançamento foi o caráter colaborativo e descentralizado do ecossistema digital. O portal funciona como um canal de participação social, permitindo que órgãos públicos das esferas estadual e municipal, instituições de ensino superior, entidades civis e associações de falantes solicitem formalmente a inclusão de novas línguas no INDL ou submetam complementações documentais e materiais de pesquisa para enriquecer o acervo existente.

O Inventário Nacional da Diversidade Linguística foi instituído formalmente pelo Decreto Federal nº 7.387, de 9 de dezembro de 2010. Desde a sua criação, o INDL atua como o mecanismo oficial da administração pública federal para a identificação, documentação e reconhecimento das línguas que constituem referências à identidade, ação e memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.

A atuação do inventário é estruturada sob cinco eixos programáticos: pesquisa e estudo; documentação linguística; engajamento comunitário; promoção e valorização; e publicação e disseminação. Com a migração das informações para o formato web em 2026, as instituições parceiras buscam ampliar o alcance das ações de salvaguarda, estimulando o protagonismo das próprias comunidades de falantes na gestão e proteção de suas línguas maternas como patrimônios culturais vivos.

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