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#Romances#Literatura Brasileira

O Matuto

Por Franklin Távora (1878)

Eu pensei – replicou o rapaz com ironia – que qualquer homem podia por suas mãos vingar-se de um malfazejo, matar um malvado que tivesse tirado a vida a muita gente. Estás enganado. Nem eu te quero para palmatória ou espada do mundo. Sabes o que fiz quando vi o pobre gemendo e esperneando, pendurado, sem saber o que fazer para soltar-se? subi-me ao pau, cortei as cordas e disse a Leonardo que corresse, que fugisse para não cair no poder dos soldados do ajudante-de-tenente. Foge dessas maldades, Lourenço, foge delas. Deus não há de permitir, por esta hora em que estou falando, que pratiques ainda ações como essa. Olha. Eu te quero para bom, e não para mau. Quero-te para servires de arrimo aos teus na velhice. Quero-te para casares com esta pobre menina, que hoje mais do que nunca precisa de quem olhe por ela, e que está morrendo de te querer bem.

E indicou a filha de Victorino.

Lourenço, que tivera os olhos postos no chão durante todo o tempo em que Francisco discorria com tão boa moral, levou-os à cova, a Marianinha, ao Crucificado, ao templo – morada de Deus, seja o templo católico, judaico, chinês ou árabe – e não disse nada.

Marianinha cruzou os dela, ainda rasos de lagrimas, com os do rapaz, e enrubesceu.

Mais corada não se mostra fresca rosa de maio, aljofrada pelo orvalho da madrugada.

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