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#Ensaios#Literatura Brasileira

Memórias da Rua do Ouvidor

Por Joaquim Manuel de Macedo (1878)

E saiu com o concunhado, que era tão bom marido como ele.

Clotilde nem recebeu o Quincas na Praça de S. Francisco de Paula, nem fez vestido, nem gravatas, nem presentes da seda maldita.

Melancólica, mas plácida, recebeu em casa o marido sem atormentar-se, nem atormentá-lo com increpações e cenas tristes de ciúmes.

Mas vingou-se deveras!...

Dos quatro cortes de seda - je ne veux pas qu'on m'aime - fez uma dúzia de robes de chambre para o seu Crispim, e dai em diante não poupou mais despesas com as suas toilettes.

O melhor desta história é que hoje, sendo lido o folhetim, um dos meus leitores da Rua do Ouvidor dirá aos seus fregueses de confeitaria:

O caso foi falsificado; o qui pro quo verdadeiro aconteceu com uma rica bandeja de doces...

Outro dirá na sua loja de ourivesaria:

- Que peta! não houve história de corte de vestidos; o que houve foi... quase o mesmo... o engano na entrega de rico relogiozinho de ouro...

Três edições afora as que ignoro de história que é a mesma no fundo.

Eu por mim não rejeito, e, ao contrário, aceito as diversas edições ou corrigendas da minha historieta -, mas dou vista da causa aos maridos moços e principalmente aos velhos para que cada um diga o que for de seu direito à sua respectiva esposa.

FIM

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