Por Joaquim Manuel de Macedo (1861)
« Fábio, querias sacrificar a tua reputação e o teu futuro para salvar-me, e eu jurei mostrar-rne digna, de ti ; cumpro esse juramento matando-me. Lembra-te d'aquella noite da festa dos meus annos, em que me fallaste do veneno das flores ?... eu te disse então :
— Fábio, se um dia resolver-me a acabar com a vida, matar-mehei com o veneno das flores. — A prophecia verificou-se, Fábio. Eu morro, e... morro amando-te. Adeus. »
Na carta que deixara á sua mãi, Juliana assim se exprimia :
« Perdão, minha mãi! é preciso que eu morra: não ha no mundo regeneração possivel para a mulher que se deixou seduzir. O mundo que tolera e talvez affaga o algoz, não perdoa a victima. Não ha para mim esperança, nem mesmo aceitando a mão e o nome do jovem que generosamente se avilta, pretendendo salvar-me. A morte anniquila tudo : a morte é o meu unico recurso. Adeus, minha querida mãi, adeus para sempre ! »
Cândida, ouvindo a leitura desta carta, exclamou desesperadamente :
— Oh ! minha desgraçada filha teve um accesso de loucura.
(continua...)
MACEDO, Joaquim Manuel de. Os romances da semana. Disponível em: https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=43487 . Acesso em: 30 jan. 2026.