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#Romances#Literatura Brasileira

O Seminarista

Por Bernardo Guimarães (1872)

A turba das pessoas, que em companhia de seu pai com o rosto prazenteiro e conversando alegremente iam invadindo a sacristia, o despertou daquele angustioso letargo. A fim de evitar conversas e olhares curiosos tratou imediatamente de revestir-se. Todavia um amigo que estando ao pé dele havia notado sua extrema palidez e o transtorno das feições:

— O senhor padre — disse-lhe — parece estar incomodado; se sofre alguma coisa melhor será não dizer missa hoje...

O padre olhou para ele espantado e sem dizer palavra continuou a paramentar-se.

A missa do padre novo, que gozava de uma grande nomeada de sabedoria e santidade, tinha atraído à igreja um numeroso e brilhante concurso. O pai e a mãe de Eugênio estavam no auge do contentamento.

Chegando à escada que sobe para o altar-mor o padre parou, e quando já todos de joelhos esperavam que rezasse o "intróito", viram-no com assombro arrancar do corpo um por um todos os paramentos sacerdotais, arrojá-los com fúria aos pés do altar, e com os olhos desvairados, os cabelos hirtos, os passos cambaleantes, atravessar a multidão pasmada, e sair correndo pela porta principal.

Estava louco... louco furioso.

FIM

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