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#Crônicas#Literatura Brasileira

Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro

Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)

Digam-me cá. Os venezianos, armando-se em guerra e fazendo-se ao mar em perseguição dos piratas que lhes tinham roubado as suas noivas, e enfim batendo-os e trazendo em triunfo as suas belas, tiveram para as suas regatas origem mais interessante do que essas quatro canoas de portugueses e índios aliados, que não recuam diante de duzentas canoas inimigas, e que, pelejando com ardor, têm por companheiro no combate o próprio S. Sebastião, que espanta os inimigos com um fogo milagroso, que se diria, naquele caso e por aquele motivo, uma celeste flama?

Que importa que o sobrenatural se misture nesta tradição com os fatos registrados na História? Todos os povos amam e guardam zelosos suas tradições com todos os milagres que as exaltam, e vêem nelas um encanto e a poesia do seu passado.

Aproveitemos o pouco que temos em uma curtíssima vida de três séculos e meio.

As regatas são instituições utilíssimas. Não é preciso demonstrá-lo.

Achar na sua história uma origem romanesca para a instituição das regatas é ouro sobre azul para qualquer nação.

Pois então?

Restaure-se entre nós a Festa das Canoas com a instituição das regatas. O dia da festa marítima está marcado pela História. É o dia 20 de janeiro.

Que nos falta? Quem queira ser o juiz da festa?

O juiz da festa acha-se natural e suavemente eleito sem empenhos nem cabala.

O juiz da festa deve ser a corporação da marinha brasileira, que prestará assim um grande e bonito serviço à pátria e ao mártir S. Sebastião.

Disse.

(continua...)

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