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#Comédias#Literatura Brasileira

Verso e Reverso

Por José de Alencar (1857)

Teixeira — Com que então ama-se nesta casa; a gente de fora sabe; e eu sou o último a quem se diz...

Ernesto — Perdão, meu tio, não tive ânimo de confessar-lhe.

Teixeira — E tu, Júlia, que dizes a isto?

D. Mariana (a Júlia, baixo) — Fale! Não tenha medo!

Júlia — Papai!...

Teixeira — Percebo... Queres casar com teu primo, não é? Pois está feito!

Júlia — Ah!

D. Mariana — Muito bem!

Teixeira (a Ernesto) — Com uma condição, porém; não admito epitalâmios, nem versos de qualidade alguma.

Ernesto — Sim, meu tio; tudo quanto o Sr. quiser! Hoje mesmo podia ser... É sábado...

Teixeira — Alto lá, Sr. estudante! Vá se formar primeiro e volte. (D. Mariana sobe e encontra-se com Custódio)

Ernesto -— Oito meses!...

D. Mariana (a Custódio) — Voltou?

Custódio — Perdi o ônibus! O recebedor roeu-me a corda!

Ernesto (a Júlia) — Esperar tanto tempo!

Júlia — Mas assim é doce esperar.

Ernesto — Oito meses longe do Rio de Janeiro! Que martírio, meu Deus!

Teixeira (levantando-se) — Vamos! O café já deve estar frio. (Sobe e vê Custódio) Oh! compadre!

Custódio — Perdi o ônibus. Que há de novo?

Teixeira — Que vamos almoçar.

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