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#Comédias#Literatura Brasileira

Os Dois ou o Inglês Maquinista

Por Martins Pena (1845)

UM DOS MOÇOS – Em nome de meus companheiros pedimos à senhora dona Clemência a permissão de cantarmos os Reis em sua casa.

CLEMÊNCIA – Pois não, com muito gosto.

O MOÇO – A comissão agradece. (Saem os dois.)

FELÍCIO, para Alberto – Morro de impaciência por saber como pôde meu tio escapar das mãos dos rebeldes para nos fazer tão felizes.

ALBERTO – Satisfarei com vagar a tua impaciência.

CENA XXIX

Entram os moços e moças que vêm cantar os Reis; alguns deles, tocando diferentes instrumentos, precedem o rancho. Cumprimentam quando entram.

O MOÇO – Vamos a esta, rapaziada!

UM MOÇO e UMA MOÇA, cantando:

(Solo)

No céu brilhava uma estrela,

Que a três Magos conduzia

Para o berço onde nascera

Nosso Conforto e Alegria.

(Coro)

Ó de casa, nobre gente,

Acordai e ouvireis,

Que da parte do Oriente

São chegados os três Reis.

(RITORNELO)

(Solo)

Puros votos de amizade,

Boas-festas e bons Reis

Em nome do Rei nascido

Vos pedimos que aceiteis.

(Coro)

Ó de casa, nobre gente,

Acordai e ouvireis,

Que da parte do Oriente

São chegados os três Reis.

TODOS DA CASA – Muito bem!

CLEMÊNCIA – Felício, convida às senhoras e senhores para tomarem algum refresco.

FELÍCIO – Queiram .ter a bondade de entrar, que muito nos obsequiarão.

OS DO RANCHO – Pois não, pois não! Com muito gosto.

CLEMÊNCIA – Queiram entrar. (Clemência e os da casa caminham para dentro e o rancho os segue tocando uma alegre marcha, e desce o pano.)

FIM

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