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#Romances#Literatura Brasileira

Os Bruzundangas

Por Lima Barreto (1922)

Argumentou mais com Augusto Comte que incorporava à Humanidade certos animais; com o "artemismo", crença de determinados povos primitivos que se julgam descendentes ou parentes de tal ou qual animal, para mostrar que o anelo íntimo dos homens é elevar esses seus semelhantes e companheiros de sofrimentos na terra. Emancipá-los.

A Arte, dizia ele, foi sempre por eles. Citava as esculturas assírias, egípcias, gregas, góticas que, embora idealizados ou estilizados, denunciavam um culto pelos animais que, injustamente, chamamos inferiores.

Na arte escrita, para demonstrar o que o sábio consultor vinha asseverando, lembrava La Fontaine, com as suas fábulas, e modernamente, Julcs Renard, com as suas interessantes Histoires Naturelles.

Nas modernas artes plásticas, nem se falava, continuava ele. A representação artística de animais, por meio delas, já constituía uma especialidade.

Foi por aí...

E, de resto, dizia ele quase no fim, quem não se lembra do papagaio de Robinson Crusoé?

Devemos, portanto, exalçar o papagaio, que é um animal que fala, rematou afinal.

O ministro gostou muito do parecer; julgou dispensável pedir uma lei ao corpo legislativo que, na Bruzundanga, é composto de duas câmaras: a dos vulgares e dos doutores; não julgou também necessário avisar os outros papagaios da sua resolução, para que concorressem e nomeou o do seu amigo Fagundes...

E foi assim, segundo me conta a missiva que recebi, que um "louro" bem falante foi nomeado arauto d'armas da Secretaria de Estado de Mesuras e Salamaleques da República dos Estados Unidos da Bruzundanga. A.B.C., Rio, 23-11-18.

Fim

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