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#Romances#Literatura Brasileira

Numa e a Ninfa

Por Lima Barreto (1911)

O meu relatório foi acolhido com os maiores gabos pelos conselheiros do chefe e, indagando-se daqui e dali, soube-se da entrada da galera “Selma” e foi entre a sua tripulação que se procurou o criminoso.

Gusav foi o mais fortemente suspeitado, porquanto eu havia organizado os indícios de forma a recaírem sobre ele todas as suspeitas.

Ele se defendeu valentemente, dizendo que não viera à terra naquele dia; mas um indício surgiu forte contra o finlandês; a arma, o “kriss”, era dele, pois quase toda a tripulação o atestou.

Restava um álibi, mas um marinheiro contou que ele viera disfarçado ente os estivadores e entre a meia noite e uma hora da madrugada voltara, regressando mais tarde à terra.

Continuou sempre à negar, mas as presunções eram muitas e ele foi pronunciado, sendo mais tarde absolvido.

O chefe deu-me dez contos de gratificação e, logo que Gustav saiu a prisão, eu lhe dei mais da metade dessa quantia.

Confessou-me que havia sido ele e, por um instante, senti-me de fato Sherlock Holmes.

FIM

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