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#Comédias#Literatura Brasileira

Antonica da Silva

Por Joaquim Manuel de Macedo (1880)

PAULA (Separando as duas) – Senhora!... não agrave o crime de seu marido...

curve-se às ordens do senhor vice-rei Conde da Cunha!...

JOANA – Oh!... ai, meu Deus!...

PAULA – (Entrega Inês a dois soldados) – E o tal Benjamim é bem bonito... quinze anos talvez... nem sinal de barba... e já dá bofetadas. (A Joana) Minha senhora!... (Saúda e vai-se).

JOANA – É minha filha!... é uma infâmia levar presa minha filha!... (Seguindo-o).


Cena VIII

Joana, e logo Martinho.


JOANA (Voltando do fundo) – Inês!... que loucura! mas lá vai!... (Torcendo as mãos) minha filha!... Martinho! Martinho!

MARTINHO – Minha senhora...

JOANA – A cavalo!... a correr!... vai participar ao senhor Peres esta desgraça.

MARTINHO – Já... o cavalo está pronto (Corre, saindo pelo fundo).

JOANA – Peres ficará furioso... tenho medo!... (Correndo ao fundo) Martinho!... dá também e logo notícia de tudo ao compadre Mendes!... vai falar ao compadre Mendes... (Volta) oh! que loucura de Inês!... desgraçada!... insensata! doida!...


Cena IX

Joana, Brites e Benjamim.


BRITES – Mamãe!... mamãe!... isto é verdade?...

BENJAMIM – Porque não me mandou chamar logo? (Corre ao fundo).

BRITES – Sim, mamãe, devia ter mandado chamar!...

JOANA – Perdi a cabeça... Inês me desatinou...

BENJAMIM (Voltando) – Ah!... é tarde!... mas juro pelos frades franciscanos... não, eu não juro mais pelos frades; mas juro por Inês, que não há de ser tarde!...

JOANA – O senhor virou o miolo de minha filha!... entrou em nossa casa, para trazer-nos a desgraça!...

BENJAMIM – Vou já entregar-me à prisão, declarando a todos o meu sexo e o meu caráter de Benjamim, sacristão do convento de Macacu (Saia correr).

JOANA – Inês endoideceu... foi esse diabo!...

BRITES —. Ela o ama: eu já esperava desvarios de Inês!...


Cena X

Joana, Brites e Benjamim a correr.


JOANA – Ainda o senhor!...

BENJAMIM – Esbarrei com três franciscanos que vem entrando para aqui... o negócio dos frades é por força comigo.

JOANA – Que venham!

BENJAMIM – Mas eu quero salvar a menina Inês! vou atravessar a casa e fujo pela porta da frente (Arregaça o vestido e corre para a escada).

JOANA (Seguindo-o) – Tranquem a cancela da escada! (Trancam).

BENJAMIM (Descendo a escada precipitado) – Esta mãe desnaturada não quer que eu lhe salve a filha!... mas por aqui hei de achar saída (Corre pela direita).


Cena XI

Joana, Brites, Fr. Simão, dois leigos franciscanos e logo Benjamim.


FR. SIMÃO – Deus seja nesta casa!

JOANA – Amém. Tenho ordem de fazer cumprir o que vossa reverendíssima ordenar.

FR. SIMÃO – Venho simplesmente a fim de levar para o convento...

JOANA – Perdão, reverendíssimo... (Para o fundo) Tranquem o portão do jardim!

(Um escravo tranca) quer então levar.. . (A Fr. Simão).

FR. SIMÃO – Para o convento o nosso sacristão de Macacu, que se acha aqui disfarçado em mulher.

BENJAMIM (Ao bastidor) – Ei-los!... por este lado além do muro quatro cães de fila no quintal vizinho! mas eu escapo aos frades... (Arregaça o vestido e corre para o portão que acha trancado).

JOANA (Mostrando) – Ei-lo!... tome conta dele!...

BENJAMIM (Depois de esforço inútil para abrir o portão) – Libertas. decus et anima nostra in dubio sunt ou ni dubo ....... (Desanimado).

FR. SIMÃO – Meu filho!

BENJAMIM – Benedicite, padre mestre! mas eu não vou para o convento... quero ser soldado.

FR. SIMÃO – Tu nos pertences: és nosso sacristão, e queremos defender-te.

BENJAMIM – Muito obrigado, mas eu não quero mais ser sacristão, e ainda menos frade.

FR. SIMÃO – Irmãos leigos, segurem-no...

BENJAMIM – Isto é violência (Resistindo) não quero ir para o convento!... (Debate-se) olhem que eu esqueço o respeito que tenho ao... ah! ah! (Subjugado) São dois hércules!... pois se os frades comem tanto!...

FR. SIMÃO – Ele traz calções; podem tirar-lhe o vestido (Os leigos tiram).

BENJAMIM – Padre mestre isto não é decente à vista das senhoras (Fica em camisa curta de mulher e de calções).

FR. SIMÃO – Agora o hábito de leigo (Os leigos põe-lhe o hábito).

BENJAMIM – Memento homo, quia pulvis est et in pulverem revertens.

FR. SIMÃO – Fiquem as senhoras na paz do senhor. Vamos, meu filho.

JOANA – Deviam ter vindo uma hora antes!...

BENJAMIM (Levado) – Mas eu não quero mais ser sacristão, não quero ser leigo, nem frade, nem guardião, nem provincial (Vão-se).

(continua...)

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