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#Comédias#Literatura Brasileira

Uma Pupila Rica

Por Joaquim Manuel de Macedo (1840)

Júlia (a Pereg.) Pois talvez tenhas de sentir que ela te conhece.

Firmino (rasgando a carta) É uma falsidade indigna que, despedaçada pelo desprezo, o meu criado varrerá do chão.

André

Mas eu não posso prescindir do nome e da confissão do caluniador!...

Cena 8ª

Teodora - Júlia - Corina - Suzana - Teófilo - Firmino - André - Peregrino - Carlos - Estefânia e Simão de Souza

Carlos E ei-los aqui minha mãe.

Teodora (correndo a porta) Bem-vindos sejam! (toma as mãos de Estef. e Simão, vem com eles à frente) Senhor doutor André de Araújo, quer o nome e a confissão do caluniador?... (ajoelha-se) a caluniadora fui eu! Mas que castigo! Meu filho, sem o pensar, maldisse de mim; minha filha, sem o pensar, chamou-me perversa! (comoção dos filhos) Deus puniu a mãe com a sentença dos filhos!...

Estef. Teodora... eu não compreendo... Simão E eu ainda menos...

Teodora Com o fim de arredar pretendentes de Corina, a quem eu por vil ambição destinava para a esposa de meu filho, disse em pérfido segredo a Estefânia e ao sr. Simão de Souza que essa aliás, virtuosa donzela, entretinha relações secretas... era... oh!...perdão!... Estefânia! Senhor Simão de Souza! Eu menti!... caluniei a pupila do meu marido!... Perdão... oh... e tu, Corina, pelo amor de Deus, perdão... (chorando)

Corina (Correndo a ela) Minha mãe... eu lhe perdôo e a amo!... (abraça Teod - Carlos e Júlia vão levantar Teod: Carlos beija a mão de Corina)

Firmino Basta, Teodora.

Teodora Não: confessei o meu crime; não carregarei, porém, com o de outrem. Eu não fui autora da carta anônima, em que se explorou a minha calúnia; não fui: juro-o!... André Quem foi então o desgraçado?...

Carlos (olhando Peregr) Se ele está presente, e não ousa declarar-se, é muito infame!... (confusão de Peregrino)

Teodora (com os olhos em Peregrino) É muito infame!

Corina (voltando o rosto com desprezo) É muito infame!...

André

(olhando Peregr.) Por minha voz... é muito infame!... (silêncio) Segue-se que o criminoso não nos ouve; porque o último dos homens saberia responder à provocação que lhe atiro ao rosto, como se fosse uma bofetada!...

Peregr.

(Trêmulo e furioso) Meu pai... o insulto é a mim...

Firmino (a Peregrino) Sim... é... mas, se não sabes matar... sabes morrer, ou abisma-te na terra... sai!... Retira-te! (vai-se Peregrino)

André

(vendo Peregrino sair) Senhor Firmino, estou satisfeito.

Firmino

Eu não o estou: Corina é sua noiva: a solene confissão de minha mulher lavou-a da nódoa do aleive; mas a carta anônima, ignóbil, embora, foi escrita por meu filho, e os insultos e a bofetada que o senhor lhe atirou ao rosto, aqui estão queimando a face do pai! O tutor cedeu...., o homem revoltou-se, o pai exige desafronta...

Suzana Perdão a todos em nome de Deus!...

Teóf.

André, meu amigo!...

Corina André!...

André

Peço ao pai que me desculpe das injúrias que dirigi ao filho... esqueçamos tudo... (oferece a mão a Firmino)

Teod.

Firmino, fomos tão culpados!... (Firmino imóvel)

Júlia Meu pai, o esquecimento do passado é o futuro cheio de flores para a sua Júlia.

Teóf.

Senhor Firmino...

Suzana És tu, Firmino, que precisas tanto do perdão e da misericórdia do Senhor!...

Firmino É assim: foi a providência que me castigou em meu filho... senhor doutor... perdoe-nos todos. (dá a mão a André que a aperta)

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