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#Crônicas#Literatura Brasileira

Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro

Por Joaquim Manuel de Macedo (1862)

NASCIDO a 24 de junho de 1820, na Vila de Itaboraí, perto da Corte, aqui se estabeleceu Joaquim Manuel de Macedo, desde jovem, aqui estudando, aqui se formando, aqui vivendo permanentemente e aqui falecendo, a 11 de abril de 1882. Médico, professor, jornalista, político militante, copiosa e variada é a sua obra de romancista, comediógrafo, o poeta, folhetinista, historiador, alcançando a sua bibliografia mais de quarenta volumes publicados, além de numerável colaboração esparsa em jornais e revistas. Alguns dos seus romances, como se sabe, desfrutaram e ainda desfrutam de larga popularidade. Nem todos – por exemplo: O Rio do Quarto – tem como cenário o Rio de Janeiro; e um deles, Mulheres de Mantilha, pertence ao gênero histórico, desenvolvendo-se a sua ação no Rio colonial do século XVIII. Outros – é o caso das Memórias do Sobrinho do meu Tio – são mais panfletos políticos... intencionais e combativos, e Macedo não possuía força bastante para poder convertê-los em verdadeiros romances. O que ele deixou de melhor, ou de menos mau, em matéria de romance, é assim mesmo vazado em geral nos moldes do mais delambido romantismo, e a sua leitura nos parece hoje quase sempre demasiado melosa e enjoativa. Todavia, devemos reconhecer em alguns deles, aqui e ali, uma tal ou qual vivacidade na maneira espontânea e corrente de conduzir a narrativa; vivacidade, aliás, mais de folhetinista do que de romancista. Sejam, porém, quais forem as restrições que possamos fazer ao romancista, não podemos negar a sua importância como atilado cronista dos costumes cariocas – fluminenses, como se dizia então – durante boa parte do Segundo Reinado.

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