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#Sátiras#Literatura Brasileira

O Elixir do Pajé

Por Bernardo Guimarães (1875)

em triunfo sacode hoje os badalos;

alimpa esse bolor, lava essa cara,

que a Deusa dos amores,

já pródiga em favores

hoje novos triunfos te prepara,

graças ao santo elixir

que herdei do pajé bandalho,

vai hoje ficar em pé

o meu cansado caralho!

Vinde, ó putas e donzelas,

vinde abrir as vossas pernas

ao meu tremendo marzapo,

que a todas, feias ou belas,

com caralhadas eternas

porei as cricas em trapo...

Graças ao santo elixir

que herdei do pajé bandalho,

vai hoje ficar em pé

o meu cansado caralho!

Sus, caralho! Este elixir

ao combate hoje tem chama

e de novo ardor te inflama

para as campanhas do amor!

Não mais ficará à-toa,

nesta indolência tamanha,

criando teias de aranha,

cobrindo-te de bolor...

Este elixir milagroso,

o maior mimo na terra,

em uma só gota encerra

quinze dias de tesão...

Do macróbio centenário

ao esquecido mazarpo,

que já mole como um trapo,

nas pernas balança em vão,

dá tal força e valentia

que só com uma estocada

põe a porta escancarada

do mais rebelde cabaço,

e pode em cento de fêmeas

foder de fio a pavio,

sem nunca sentir cansaço...

Eu te adoro, água divina,

santo elixir da tesão,

eu te dou meu coração,

eu te entrego a minha porra!

Faze que ela, sempre tesa,

e em tesão sempre crescendo,

sem cessar viva fodendo,

até que fodendo morra!

Sim, faze que este caralho,

por tua santa influência,

a todos vença em potência,

e, com gloriosos abonos,

seja logo proclamado,

vencedor de cem mil conos...

E seja em todas as rodas,

d'hoje em diante respeitado

como herói de cem mil fodas,

por seus heróicos trabalhos,

eleito rei dos caralhos!

Fim

12
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