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#Ensaios#Literatura Brasileira

Anchieta

Por Euclides da Cunha (1907)

Preso entre esses últimos, sob a ameaça persistente do martírio e da morte, a sua alma religiosa expande-se em poema belíssimo no qual a dicção aprimorada se alia à erudição notável. Seguindo ásperos itinerários nos sertões em busca do aimoré bravio, à amplitude do seu espírito não escapa a nossa natureza deslumbrante acerca da qual faz estudos, lidos mais tarde com surpresa por todos os naturalistas, que o proclamaram, pela pena de Aug. Saint-Hilaire, um dos homens mais extraordinários do século XVI. Por toda a parte, em todas as situações de uma carreira longa e brilhante, como simples irmão ou no fastígio do provincialado, enfeixando nas mãos poderes extraordinários, não há um salto, um hiato, um acidente ligeiro perturbando a continuidade da sua existência privilegiada de grande homem – útil, sincero e bom.

Fora longo e dificílimo traçá-la, palidamente embora.

Mais alto e com mais eloqüência do que nós, fala este sentimento sagrado de veneração que pressentimos em torno, amplo, forte e generoso, inacessível às diversidades de crenças e sob cujo influxo se opera em nosso tempo a ressurreição do grande morto de há três séculos.

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