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#Comédias#Literatura Brasileira

Antonica da Silva

Por Joaquim Manuel de Macedo (1880)

MENDES – Ande (BENJAMIM entra; Mendes tranca a porta) Eu sei lá, se a comadre está de acordo com o marido! (A Pantaleão) Ela entra, e tu sais; agora é força mudar o plano. Traze-me já contigo o nosso Benedito (Vai abrir a porta).


Cena IV

Mendes, Pantaleão que sai, Joana e Brites.


MENDES – Desculpe a demora, eu despedia o Pantaleão... Comadre! menina Brites... (Saudando).

PANTALEÂO – Minha senhora!... menina!... (Cumprimentam-se) Eu ia sair...

(Saúda e vai-se; Mendes fecha a porta).

JOANA – Compadre! e minha filha?... sua afilhada?...

MENDES – Quando cheguei ao quartel de Moura, já Inês tinha dali fugido! é uma doida de pedras!...

JOANA – E; mas agora... eu contava tanto com o compadre!...

BRITES – Sr. Mendes... a nossa esperança era a sua proteção...

MENDES – Comadre, seu marido quer por força levar Inês para o convento de Santa Tereza...

JOANA – Já sei... e é sem remissão!... oh! coitada de minha filha!...

MENDES (Á parte) – Bom! bom! (Alto) ela merece todos os castigos!... mas sendo freira, não fica por isso menos desacreditada!...

BRITES – E meu pai ameaçou-me com igual destino.

MENDES – Não é só ameaça; é resolução formada.

BRITES – Defenda-nos Sr. Mendes; pelo amor de Deus defenda-nos! eu então que não fiz nada!...

JOANA – Mas onde estará a desgraçada!

MENDES – Criminosa! muito criminosa!...

JOANA – Oh!... também o senhor contra ela?... que é do seu amor de padrinho?...

oh, minha filha!

MENDES – E que a comadre não sabe que Inês cometeu outro crime...

JOANA – Qual?... qual?...

MENDES – Fugiu do quartel em companhia de Benjamim!...

JOANA – Ah, maldito sedutor!...

MENDES – Já vê que não há perdão para essa menina... desmiolada... não há... eu voto contra o convento; mas... cinco anos pelo menos no recolhimento do Parto...

JOANA – Oh!... algozes de minha filha!...

MENDES – Isso é fraqueza maternal! olhe: hoje ou amanhã apanham e prendem o casal desmoralizado... o casal não casado!... não pode haver perdão... não pode... não pode...

JOANA – Pode! no coração da mãe há sempre perdão e amor para a filha infeliz!...

oh! só encontro algozes... mas... (A Mendes) saiba... esta mulher fraca humilde... submissa... agora é leoa enfurecida... eu vou correr pelas ruas... (Inês bate na porta do quarto) hei de achar Inês!... hei de achar minha filha! (Querendo sair).

INÊS (Dentro) – Mamãe!... mamãe!... estou aqui...

JOANA – Minha filha!... (Ao mesmo tempo e tido sabendo donde vem a voz).

BRITES – Inês!...

MENDES (Dando a chave) – É ali... é ali... (Mostrando, e querendo chorar) Tabaco... tabaco... (Toma tabaco).

JOANA (Abre aporta) – Minha filha!.. . (Abrindo os braços).


Cena V

Mendes, Joana, Brites, Inês e logo Benjamim.


INÊS —Mamãe!... (Abraçam-se chorando).

BRITES – Inês! Inês!...

INÊS – Brites!... (Abraçam-se).

JOANA (Ajoelhando diante de Mendes) – Anjo do céu!

MENDES (Muito comovido levanta-a) – Comadre...não faça isso... ah!... eu acabo com as ternuras!!... olhem que falta o epílogo da novela (Abre a porta do outro quarto) Sai, epílogo!

BENJAMIM (Saindo: diz à parte) – Vou apreciar o efeito da minha inocente aparição (Fingindo vexame) Ai! duas caretas!... (De olhos baixos).

JOANA – Oh!... o senhor... (Com ressentimento e dureza).

BRITES (Com desagrado) – O senhor!...

BENJAMIM (À parte) – A resposta lógica era-as senhoras!... mas não respondo, não; o calado é o melhor.

MENDES – Comadre, sem ele o casal ficava incompleto...

JOANA – Que é isto de casal, compadre? ...

MENDES – Não é ainda: mas vai ser casal; se pode arranjar de outro modo as coisas dignamente para Inês, diga o meio, e eu faço voltar para Macacu o Antonica da Silva.

JOANA – Compradre, não me ponha em funduras com o Peres!

MENDES (Batem com força) – Há de ser o Pantaleão com o cônego. (À porta) Quem bate?...

PERES (Dentro) – Sou eu, Mendes. ( Voz grave; movimento geral).

INÊS – Meu padrinho... meu padrinho...

MENDES (A Inês e Benjamim) – Escondam-se onde estavam. Tranque as portas, comadre (Vai ao postigo; os dois escondem-se; Joana tranca as portas; mas deixa as chaves) O selvagem trouxe a cadeirinha, mas não me dou por vencido. (Abre a porta) Entra, Peres.


Cena VI

Mendes, Joana, Brites e Peres.


PERES (Entra olhando para todos os lados) – Que vieram fazer aqui?... (A Joana e Brites com dureza)...

JOANA – Peres, sou mãe, vim pedir ao compadre notícias de minha filha.

BRITES (A tremer) – Meu pai, eu acompanhei mamãe.

MENDES (À parte)— Quero só ouvir o que lhes diz o bruto.

(continua...)

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