Por Ronaldo Martins
26/02/2026
Os resultados mais recentes do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) mostram avanço nas médias de língua portuguesa entre alunos do 9º ano do ensino fundamental. Apesar da melhora em relação a 2024, o desempenho ainda não retomou os patamares pré-pandemia nem alcançou o nível considerado adequado pela Secretaria da Educação
Os dados divulgados pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo indicam crescimento na média de língua portuguesa dos estudantes do 9º ano em 2025, interrompendo uma sequência de estagnação observada após a pandemia de covid-19. A elevação acompanha também um recorde em matemática na mesma etapa de ensino, segundo balanço oficial.
Ainda assim, os indicadores revelam que a aprendizagem em português permanece abaixo do nível considerado adequado para a série. O percentual de alunos classificados nas faixas de desempenho mais altas segue inferior ao registrado em 2019, antes da interrupção das aulas presenciais causada pela crise sanitária.
No ensino fundamental como um todo, os resultados apontam tendência de recuperação gradual. Especialistas destacam, contudo, que o ritmo é lento e desigual entre redes e regiões. Em português, a recomposição das aprendizagens tem ocorrido de forma mais modesta do que em matemática, disciplina que apresentou crescimento mais expressivo nos últimos ciclos avaliativos.
O Saresp avalia estudantes do 2º, 5º e 9º anos do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio, medindo competências e habilidades em língua portuguesa e matemática. A prova integra a política de monitoramento da qualidade da educação paulista e serve de base para metas, bonificações e planejamento pedagógico.
Segundo a Secretaria da Educação, o avanço registrado em 2025 está associado a políticas de reforço escolar, ampliação de carga horária e uso de materiais estruturados implementados após a pandemia. A pasta afirma que continuará investindo em ações de recuperação para elevar o número de alunos nos níveis adequados de proficiência.
Educadores e pesquisadores, por sua vez, avaliam que a melhora é positiva, mas insuficiente diante do impacto acumulado da pandemia sobre a alfabetização e a consolidação da leitura e escrita nos anos finais do ensino fundamental. Para eles, a recuperação plena depende de políticas de longo prazo e acompanhamento contínuo dos estudantes com maiores defasagens.