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#Notícias#Avaliação

Inep cria comissão permanente para revisar linguagem de exames nacionais

Por Ronaldo Martins

05/02/2026

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) instituiu, em 5 de fevereiro de 2026, uma Comissão de Revisores de Texto e Revisão Linguística com a missão de padronizar e aperfeiçoar a linguagem dos principais exames nacionais — como Enem, Saeb e Encceja — com foco em clareza, correção gramatical e acessibilidade textual.

O Inep publicou portaria oficializando a comissão, que terá mandato de três anos, podendo contar com até 25 especialistas em Letras, Linguística, Linguística Aplicada ou Literatura, com experiência comprovada em revisão de textos de avaliações educacionais. Os integrantes serão remunerados por meio do Auxílio de Avaliação Educacional.

A nova estrutura institucional ficará vinculada à Diretoria de Avaliação da Educação Básica do instituto e assume a responsabilidade de revisar enunciados, alternativas, comandos, questionários, manuais, guias e relatórios relacionados aos exames nacionais conduzidos pelo Inep. Além disso, a comissão poderá emitir pareceres sobre dúvidas linguísticas recorrentes e propor orientações para uniformizar a linguagem institucional do instituto.

Segundo a portaria, o grupo terá papel central no controle de versões, na rastreabilidade de alterações e na padronização editorial dos materiais, etapas consideradas sensíveis diante do grande volume de itens avaliativos e da exposição pública dos instrumentos de avaliação.

A criação da comissão formaliza e fortalece uma etapa que já existia de maneira menos estruturada. O Inep enfrenta, há anos, críticas e questionamentos acerca de ambiguidades, erros de redação e interpretações divergentes em exames como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado a milhões de estudantes, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que gera indicadores educacionais nacionais, e o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).

A meta explícita é reduzir ambiguidades e inconsistências linguísticas que historicamente têm resultado em recursos administrativos ou disputas jurídicas envolvendo itens de avaliação. O reconhecimento formal desse trabalho técnico também reflete demandas de adesão a padrões mais elevados de qualidade textual, especialmente em instrumentos com milhares de itens e ampla repercussão pública.

Profissionais designados poderão atuar tanto de forma presencial quanto remota, conforme a necessidade das áreas técnicas responsáveis pela elaboração e revisão dos exames. A exigência rigorosa de confidencialidade também está prevista na portaria, com assinatura de termos específicos para evitar vazamentos de conteúdos antes da aplicação das provas.

Especialistas em avaliação educacional consultados historicamente apontam que a clareza linguística é um componente essencial não apenas para a justiça e equidade dos exames, mas também para garantir que os instrumentos reflitam com precisão os conhecimentos e habilidades que se pretendem medir — um argumento que ganhou força junto às discussões sobre a expansão e o uso dos exames nacionais em políticas educacionais.

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