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#Notícias#Aquisição de Linguagem

Morre a linguista Cláudia Theresa Guimarães de Lemos

Por Ronaldo Martins

05/02/2026

Cláudia Theresa Guimarães de Lemos, professora aposentada do Departamento de Linguística da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e umas pesquisadoras mais importantes nos estudos da fala infantil, aquisição da linguagem e na interseção entre linguística e psicanálise, faleceu em Campinas, no dia 30 de janeiro, aos 91 anos.

Cláudia Lemos foi pioneira no Brasil a tratar a fala da criança não apenas como objeto de descrição linguística, mas como um fenômeno complexo em que a fala "resiste a ser descrita” e em que a própria posição do investigador se transforma ao investigá-la. Isso ficou expressado em seu artigo “Das vicissitudes da fala da criança e de sua investigação” (2002), no qual ela colocou em discussão esse próprio enigma da fala infantil e as mudanças conceituais que ele implica.

Ao longo de sua carreira, Lemos desafiou abordagens tradicionais ao destacar que a fala infantil não pode ser reduzida a normas adultas, pois é heterogênea, singular e marcada tanto pela linguagem como pela relação com o outro. Pesquisadores que dialogam com seu trabalho destacam que ela criticava “a eliminação das repetições, músicas, interjeições, palavras inexistentes no vocabulário adulto” das análises linguísticas tradicionais, apontando a esses elementos importância epistemológica e clínica.

Sua trajetória intelectual atravessou fronteiras disciplinares. Além de seu profundo compromisso com a descrição linguística da fala, Cláudia Lemos foi referência na articulação entre linguística estrutural e psicanálise, especialmente na forma como a linguagem articula sujeito e símbolo, que observa “os processos de incidência do campo da psicanálise, com Jacques Lacan, no percurso de uma pesquisadora do Brasil dedicada a estudar a fala da criança”.

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