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#Notícias#Escrita Criativa

Projeto literário carcerário premia poemas de detentos em Guarapuava

Por Ronaldo Martins

16/12/2025

Em sua 10ª edição, o projeto Círculo de Leitura: dialogando a literatura no cárcere premiou na quinta-feira, 11 de dezembro, os melhores poemas escritos por detentos da Cadeia Pública de Irati, no Paraná. A iniciativa, que integra atividades educacionais e culturais promovidas pela Universidade Estadual do Centro-Oeste e parceiros, reuniu 34 participantes e destacou a produção de versos sobre temas como amor, família e saudade.

O projeto Círculo de Leitura: dialogando a literatura no cárcere celebra mais de uma década como ação extensionista voltada à educação, inclusão e promoção da cultura na Cadeia Pública de Irati, no interior do Paraná. Em 2025, sua 10ª edição mobilizou 34 privados de liberdade, que inscreveram 53 poemas no concurso literário anual.

Desenvolvida pela Seção de Relação Comunitária do Câmpus de Irati (Serecom/I) da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) em parceria com o Conselho da Comunidade da Comarca de Irati e com apoio do Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná, a iniciativa busca incentivar a leitura, a escrita e o protagonismo cultural entre internos.

Além de incentivar a produção poética, o Círculo de Leitura integra outras atividades educacionais promovidas na unidade prisional, como o programa “Pedagogia da Inclusão: Letramento e Escrita”, que oferece aulas de alfabetização, e o projeto “Liberdade pela Leitura”, centrado na elaboração de resenhas sobre obras lidas pelos participantes ao longo do ano.

Uma banca formada por professores das áreas de Letras, História e Pedagogia avaliou as poesias inscritas e selecionou os cinco melhores trabalhos, divididos conforme os projetos educacionais em que os detentos estavam engajados. Pela primeira vez, bolsistas do curso de Psicologia participaram da avaliação, ampliando a interlocução entre a dimensão afetiva e educativa das produções literárias.

No evento de premiação, todos os participantes receberam certificado de participação e um kit com produtos doados por comerciantes locais e servidores da Unicentro, numa ação que reforça o vínculo entre a iniciativa acadêmica e a comunidade de Irati.

O responsável pela Serecom, agente universitário Nelson Susko, destacou o crescimento da adesão ao longo dos anos: desde as primeiras edições, com poucos participantes, a proposta ganhou força entre os detentos, ampliando o alcance de atividades que estimulam leitura, escrita e expressão pessoal.

Projetos como esse se inserem em uma tradição mais ampla de literatura carcerária, na qual a produção escrita por pessoas privadas de liberdade — seja na forma de poesia ou prosa — tem sido reconhecida como potente expressão de subjetividades, histórias de vida e reflexões sobre condições de privação de liberdade e perspectivas de reinserção social.

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